Ora pois
Alguém já reparou que em português a gente diz “pois não!” para concordar em fazer algo, e “pois sim!”, o nariz empinado, querendo expressar total discordância?
E quem diz “com certeza, ele foi à praia”, dando de ombros, quer expressar absoluta incerteza sobre o destino daquela pessoa?
Tentando encontrar respostas para estas perguntas, cheguei a um texto muito gostoso, daqui:
“A americana não entendia. «Pois sim» queria dizer não e «Pois não» queria dizer sim? Tentaram lhe explicar. «Pois sim» tinha o sentido de «imagine se alguém diria sim para isso», e «pois não» o sentido contrário. Então o que queria dizer a palavra «pois»? Era complicado. E a americana ficou ainda mais impaciente quando, em vez de lhe darem uma resposta, disseram «Pois é…» Até que também perderam a paciência com a americana e alguém sugeriu: «Perguntem a ela sobre a guerra no Iraque».
Antigamente, no futebol, certas frases se repetiam. Eram quase obrigatórias. Cada vez que um jogador dava um chutão para o alto, alguém na torcida gritava: «Viva São João!» Todos riam. Quando um time estava dominando a partida e o outro não conseguia sair da defesa, ouvia-se, inevitavelmente: «Aluga-se meio campo!» Todos riam. Quando um jogador entrava com violência num adversário, vinha o comentário: «Olha o recurso!» Desta ninguém ria. Era uma grave constatação de que faltava recursos ao jogador faltoso, uma condenação da feiura do futebol truculento e uma sugestão de que o jogador procurasse outra profissão. E embora já se xingasse a mãe do juiz, o palavrão em coro não era comum. Sempre havia os que, quando os palavrões - os «nomes feios» - começavam a voar, olhavam em volta e diziam «Olha as famílias…» Hoje, claro, as famílias lideram o coro.”
Add comment 14 Maio 2008


