Feeds:
Posts
Comentários

Acabô-ô-ô-ô!!!

Nunca pensei que repetiria qualquer coisa dita pelo abominável G. Bueno.

Mas hoje…… hoje……. gritei igual ele gritou na final de uma copa aí que o Brasil ganhou…… porque…..

ACABÔ-ÔÔOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO…..!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRGGGGGGGGGG…

A-CA-BOU um evento cuja coordenação foi a mim designada por forças superiores. O que significa dizer, nem pensar em recusar, dizer que no momento não posso, etc.

Fui designada para a missão em Agosto do ano passado. Foi quase UM ANO de preparação, e dois dias de evento. E encheção de saco, claro. Pois……………………..

Acabou, e foi um SU-CES-SO.

DEU TUDO CERTO, apesar de um monte de problemas, que foram TODOS contornados, TKS GOD!!!!!!!!!! E tks à equipe toda, claro. The crew.

prontodesabafei.

vou ali tomar uma cachaças, que ALÍVIOOOOOOOOOOOOOOOOO !!!!!!!!!!!

chááááu!!!

Cariocas, prestem atenção:

Vocês sabem a origem do nome do bairro da nossa cidade, chamado “Piedade”?

Pois então, diz que o lugar chamava-se algo como ‘Buraco da Cobra’ – ou algo assim. Aí os habitantes, cansados de serem sempre zoados pelas outras pessoas, moradoras de logradouros com nomes mais dignos, fizeram uma carta implorando ao Imperador:

- “Senhor Imperador, TROQUE o nome do nosso bairro, por piedade!!” O governante, solícito, foi lá e trocou!

Adorei.

Outra: Realengo. Chamava-se ‘Real Engenho’, tinha até uma plaquinha, com o nome escrito. Aí, diz que a plaquinha foi ficando véia, e algumas letras caíram (ou se apagaram, enfim), até sobrarem as letras do atual nome. Hehe.

Cascadura diz que foi porque o povo, ao arar o solo, observava extrema rigidez da superfície da terra. Hmmm…

Perguntei a origem dos nomes de alguns lugares que sempre me causaram curiosidade, mas não obtive resposta:

Donde vem o nome de Parada de Lucas? Quem teria sido este Lucas que tanto parava ali, a ponto de dar nome ao lugar???

E Campo dos Afonsos? Quantos Afonsos havia neste campo? ‘Magina, um vasto campo, todo gramado, cheio de Afonsos andando por ele!

E o Morro do Macaco Molhado? E Paciência, Livramento, Saúde?

Alguém sabe? Deve ter um site desses que explica, mas estou com sono, um dia procuro.
Abraços, beijos, comportem-se.


post de 2006, da série ‘recordar é viver’
ps: Boa Ideia mandou um link bacana, pra informar quem se interessa pelo assunto:

http://portalgeo.rio.rj.gov.br/armazenzinho/web/

obrigada, querida!

Vi, na TVE, um rapaz negro, artista, sendo entrevistado por conta do dia… dia… não sei como chama, aqui no Rio disseram que era o “feriado do Zumbi”.

Seja o que for, ele mostrava um trabalho interessantíssimo sobre preconceito velado, “filtrado”, incorporado a expressões como “buraco negro” , ou “a coisa ficou preta” etc.

Eu sempre achei isso uma besteira, pra mim as expressões referiam-se simplesmente à cor, não às pessoas da cor. A mim soava como uma choradeira chatérrima, afinal era óbvio que as expressões nasciam do medo do escuro que quase todo mundo tem, em algum canto da imaginação.

Então, pra mim sempre foi isso, o que motivava as expressões. O rapaz, mostrando seu trabalho com voz mansa, explicava como que cada expressão fazendo associações negativas à cor preta traduzia uma depreciação nada velada aos negros.

Não deixei de achar que muitas pessoas falam do preto de forma pejorativa simplesmente por associá-lo à ausência de claridade e ao medo que fantasiam do que possa estar oculto pela falta de luz.

Mas pela primeira vez entendi que esta pode não ser a única leitura, e pela primeira vez tive uma certa empatia pelos negros que se sentem atingidos pelo que seria uma depreciação disfarçada de toda a sua cultura. Não deve ser fácil ignorar garbosamente o que bem poderia ser uma chacota, quando diariamente se é tratado com repulsa ou condescendência, não por todos, óbvio, mas seria hipocrisia tentar minimizar a destrutividade de um mero olhar preconceituoso na auto estima de uma pessoa. Imagina mil olhares, por uma vida inteira. Entendi que um ser em um ambiente sempre hostil passe a andar de antenas ligadas e defesas em punho.

Continuo achando que expressões ambíguas permitem que você as interprete como quiser, e seria muito menos cansativo se os negros optassem por não não entender a expressão “a coisa ficou preta” como ofensa pessoal.

Ainda assim, acho muito possível que vá gradualmente deixando de usá-la, por ter sido despertada para o fato de que a outra interpretação não é só uma choradeira de gente chata. Sei que preconceito não se cura com jogo de palavras, mas, se compreendi como uma expressão pode ferir, por quê usá-la?

Mas o que mais me impressionou, na entrevista, nem foi isso.

Foi o que o menino disse, no final. Ele disse que quem mais perde com o preconceito, são os preconceituosos, porque, agindo assim, estão deixando de ter a oportunidade de desfrutar da companhia e da amizade de tanta gente boa.

Simples, e essencial. Generosamente, ele ensinou a quem quisesse ouvir.

Tá, tem negros que não são gente boa, óbvio. E nem só contra negros há preconceitos. Mas não me interessam as obviedades.

Quando dei por mim e quis saber o nome do rapaz, a reportagem já tinha acabado.

Obrigada, moço, seja qual for o seu nome.

Coisa de Artista

aspas

A verdadeira arte de viver talvez seja tentar ser o que você é,

o que naturalmente é muito difícil.

Domingos de Oliveira, na FLIP

Nem todos os cuidados com a aparência são sinal de psicopatologia, e é importante evitar o preconceito e a hipocrisia, neste sentido.

Existe um livro muito bom, chamado  “A Lei do Mais Belo”, da Dra. Nancy Etcoff, que nos ajuda a entender alguns (na verdade quase todos) aspectos a respeito deste assunto.

- Nancy quem?

“Nancy Etcoff é PhD em Psicologia Clínica pela Boston University, concluiu pós-doutorado em Neurociência Cognitiva no Massachusetts Institute of Technology. É professora da Harvard Medical School e faz parte da equipe do Departamento de Psiquiatria, do Massachusetts General Hospital. Pesquisadora de renome, já recebeu vários prêmios por suas pesquisas”.

Vejamos alguns trechos do instrutivo livro:

Tratamos a aparência não simplesmente como uma fonte de prazer ou vergonha, mas como uma fonte de informação . A nossa mente não foi projetada para diferenciar facilmente superfície e substância: lá no fundo, poucas pessoas acreditam que a relação entre as duas é acidental ou arbitrária.”

Nancy Etcoff afirma que “as pessoas tendem a ajudar pessoas atraentes, mesmo que não gostem delas. A beleza é uma forma de status, em nada diferente de ter nascido nobre ou ter herdado uma riqueza”.

Esta constatação é comprovada pelos resultados de alguns estudos (científicos, promovidos por diferentes universidades), citados pela autora:

du !

a) pessoas pesquisadas fizeram esforços para ajudar pessoas bonitas, em detrimento de outras menos atraentes;

b) quando se pede a pessoas que se aproximem de um estranho e parem quando deixarem de se sentir à vontade, elas pararão a cerca de 70 cm de uma pessoa alta, porém, a menos de 30 cm de uma pessoa baixa.
Pessoas atraentes têm “espaços pessoais” maiores do que os das pessoas altas;

c) pessoas bonitas tendem mais a ganhar discusões e a convencer os outros das suas opiniões. As pessoas lhes contam segredos e revelam informações pessoais;

d) as pessoas em geral querem agradar àqueles que têm boa aparência, fazendo gestos conciliatórios, deixando-se convencer, e recuando para deixá-las passar quando andam na rua;

e) professores em 400 salas de aula nos Estados Unidos receberam cópias de um boletim escolar incluindo notas, avaliação de atitude, hábitos de trabalho e freqüência. A única variante era a fotografia da criança, que poderia ser menino ou menina, feio ou bonito. Apesar da riqueza de informações sobre o comportamento e o desempenho, a aparência norteou as opiniões. Os professores classificaram as crianças bonitas como mais inteligentes, mais sociáveis e mais populares entre seus pares.

A respeito deste último teste, segundo a autora, “(…) o mais perturbador é o fato de que as crianças bonitas freqüentemente conseguem as notas mais altas. [...] Curiosamente, apesar do estereótipo da ‘loura burra’, supõe-se que as pessoas atraentes dos dois sexos sejam mais, e não menos, inteligentes que as não atraentes”. (Etcoff, 1999, p. 61)

Ao analisar os dados do trabalho da Dra. Etcoff, percebe-se que, antes que se possa supor que a busca por uma forma harmoniosa seja fruto de deformações culturais, induzidas por consumismo ou outras interferências momentâneas, é interessante notar que, segundo o estudo, as preferências baseadas na aparência acontecem “da Austrália à Zâmbia“:

Em 1990, o psicólogo David Buss entrevistou mais de 10 mil pessoas de 37 culturas, de idades de 14 a 40 anos, sobre suas preferências de parceiros. No mundo todo, a gentileza foi uma qualidade bastante valorizada, mas a atratividade física e a boa aparência ocuparam o topo da lista das dez qualidades mais importantes e desejáveis.

Gianechinni1

Em seu trabalho, Etcoff explica que esta valorização da aparência não ocorre sem motivos. Os dois sexos importam-se tanto com a aparência visando a reprodução. Os sinais biológicos são “leituras” fáceis, e os belos traços nos humanos são uma linguagem direcionada à composição da próxima geração, à sobrevivência da espécie. Diz a autora: “A exibição sexual humana é projetada especificamente para inflamar nossos desejos, e aí está a explicação de seu poder assustador”.

Não resisto a trazer mais um trecho do interessantíssimo livro pra cá:

“(…) há uma realidade central na beleza, oculta nos constructos culturais e nos mitos. Todas as culturas cultuam a beleza, e em todos os lugares ela tem sido uma força poderosa e subversiva, provocando emoção, prendendo a atenção, e dirigindo a ação. Todas as civilizações perseguem-na a um custo extraordinário, e sofrem as conseqüências trágicas e cômicas dessa busca.

Hoje, há uma profunda insatisfação cultural focada na beleza, mas o negócio da beleza não mostra o menor sinal de abatimento. Uma busca tão ardente, tão cheia de riscos, tão insaciável, reflete a ação de um instinto básico.

O fundador da inteligência artificial, Martvin Minsky, acredita que a experiência da beleza é uma das maneiras de a natureza desligar temporariamente o repertório mental de “evidências negativas”. Com o cérebro crítico temporariamente desativado, não refletimos sobre a beleza, nem pensamos em outras coisas em sua presença.

Nossa resposta à beleza é uma artimanha de nosso cérebro, não uma reflexão mental. Achar belo o parceiro fértil e saudável e achar irresistivelmente engraçadinho um bebê impotente é uma reação adaptativa. A beleza é uma das maneiras de a vida se perpetuar, e o amor pela beleza está profundamente arraigado em nossa biologia.

Há algo em nosso amor pela beleza que é, como o crítico de culturas K. Fraser escreveu, “heróico, impotente e humano”.

patrick-dempsey1

Claro que a beleza visual não é a única maneira de emitirmos sinais evolutivamente importantes a parceiros potenciais. Existem a linguagem corporal, a voz, os cheiros, e até mesmo secreções de hormônios que não detectamos conscientemente. A aparência não é tudo, mas, persiste a questão de a beleza ser extremamente injusta. É um dado genético. E a beleza física nos diz pouco sobre a inteligência, gentileza, ânimo, senso de humor ou estabilidade da pessoa, embora acreditemos o contrário.

(…) As mulheres são muito recompensadas por sua aparência, e é natural que aí invistam parte de seus recursos financeiros. A idéia de que as mulheres realizariam mais se não perdessem tempo com a beleza é uma tolice. As mulheres farão mais, quando conseguirem direitos sociais e legais iguais, não quando deixarem a beleza de lado.

Mas, conhecimento é poder: quanto mais sabemos sobre a natureza humana, mais esperança temos de saber lidar com as desigualdades, e de mudar a nós mesmos. Nossa susceptibilidade não é motivo para nos afastarmos: nossos impulsos não são necessariamente bons, mas são resistíveis.

“Toda a honra e reverência à beleza da forma! Mas que amemos também essa outra beleza, que não está em nenhum segredo de proporção, mas no segredo da profunda simpatia humana” ( George Eliot ).

Não podemos esperar pela beleza, devemos trazê-la à tona.”

Acuma?

Estava lendo o delicioso  Uh, Baby!!! :

A moça, de família, patricinha, se preparou toda para ir ao ensaio da Gaviões da Fiel.
Chegando lá, um dos mano suarento e banguela pede pra dançar com ela e, para não arrumar confusão, ela aceita.
Mas o mano suava tanto que ela já não estava suportando mais!
A moça foi se afastando, e disse:
- Você sua, hein!
Ele a puxou, lascou um beijo e respondeu:
- Tamém vô sê seu, princesa! É nóis na fita!”

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAGAHGSHAGHAGHSGAHSGHAHHKHFLH!!!!!!

Daí lembrei da outra, né, um clássico:

O  português disse:
- Maria, hoje vou amar-te!

E ela:
- Podes ir a Marte, a Saturno, à putaqueopariu, mas me deixa dormir, ó pá.

GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHGAHAJHAKJFLKJSDKHKAJSKH

A paciente, uma jovem, chega pra retirar um nódulo cervical subcutâneo.

- Ai, doutora, tô nervoooooosa!

- Fique não.  O que vamos fazer é muito simples, e rápido.

- Ah mas vai doeeeeeeeeeeeeeeer!

- Vai não… vamos anestesiar primeiro.

- Ah mas eu tenho medo da anestesiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia… Precisa MESMO fazer isso?

- Não, não precisa. Se quiser, fica com o nódulo aí, se ele não crescer, não tem problema.

- Mas ele pode cresceeeeeeeeeeeeeeeeeer…..

- Pode.

- Então… bora tirar, né…..

- Bora.

Começo a fazer a assepsia/antissepsia.

- Doutora, eu já disse à senhora que TUDO em mim inflama?  Trudia fui à dentista, e o negócio infeccionou foi muito!

- Não se preocupe.. aqui não teremos as bactérias da boca, não tem por que inflamar aqui. Olha, faz o seguinte… relaxa… pensa em coisas boas… você gosta de montanhas? Então… pense no verde, nas árvores…

Começo a anestesiar, devagar e levemente, como sempre.

- Mas me diga, doutora, a senhora sempre quis ser carniceira?

- Han?

dexter

- É, quero saber se a senhora sempre gostou de ser assim, carniceira.

- Hm.. esta não foi uma pergunta muito gentil, da sua parte.

- Ah, eu quero saber é se a senhora sempre gostou de cortar os outros, ver um monte de sangue pingando, as tripas, tudinho isso…

Começo a incisão.

- Veja… tudo na vida pode ser encarado por pelo menos dois pontos de vista… você escolhe qual você quer. Pode encarar uma cirurgia como uma coisa benéfica, ou simplesmente como sangue pra todo lado. É sua escolha, isso…

- Ah não sei como vocês podem… cortar as pessoas, achar bom esse sangue todo.

- Quer dizer, a montanha, necas, né. Pensamentos agradáveis, nenhum…

Dissecando o nódulo.

- Rerere… Mas olha, doutora, eu já contei da minha apendicite? Infeccionou tudo, a cicatriz ficou horrorosa. Comigo tudo é assim!

- Você já reparou como só se lembra de desgraças? Será o biniditu? Pense aí, alguma coisa agradável, vá…

Nódulo fora. Começando a suturar.

- Ah, doutora, sei não, visss. Comigo é assim, tudo dá errado!

- Bom, aqui correu tudo bem, estou fechando o curativo, vou ali escrever a data pra você voltar, ok? Doeu alguma coisa?

- Não, nada….

- Ok. Tome sua receita. Até logo, e boa tarde.

- Ah… acho que a carniceira sou eu, né doutora??

- Isso também não é gentil de se dizer, nem sobre você mesma. Só acho que você está usando mal a liberdade que tem de escolher o tipo de pensamento que deseja ter. Veja, aqui, correu tudo bem, e você nem sentiu a cirurgia, mas passou o tempo todo tensa exclusivamente por causa dos seus pensamentos. Pensa nisso!

*pra quem não reconheceu, a fotcheenha é do ‘colega’, o Bay Harbor Butcher, Dexter

Aliás, li que Michael Jackson foi um marco porque “varreu” o gênero “disco”.

Isso me fez lembrar como eu ADORO TODAS as músicas “disco”.

Hm, quase todas.

Peguei hoje meu DVD “Disco Fever 70’s” que comprei na promoção nas lojas Americanas e fiquei escutando – e cantando e pulando – aos berros, ao som de Shadow Dancing, I Will Survive, Heart of Glass, Stayin’ Alive, If I Can’t Have You, Don’t Leave Me This Way, Dancing Queen, Le Freak, etc etc.

Mas tudo parou, quando troquei o CD e começaram os acordes de McArthur Park, com a rainha, soberana, dona da voz mais maravilhosa ever Donna Summer. Que obviamente é a gravação da música mais bonita de todos os tempos, pra toda a eternidade. A existência de Donna Summer neste planeta justifica-se pela gravação que ela fez dessa música.

donna

Claro que Last Dance é manêra, I Remember Yesterday é deliciosa, I Feel Love é hipnótica, Bad Girls é gostosa de dançar, Breakaway é super alegre, This Time I Know It’s For Real é linda, linda, adoro,  e, claro, Could it be Magic é maravilhosa, já fiz inclusive um post no blog antigo só pra ela.

McArthur Park – versão completa, com a lindíssima segunda parte – e Could it be Magic – versão editada, sem as horas e horas de gemidos  -, cantadas pelo absurdo vozerão da Donna Summer são as duas músicas mais bonitas de todo o universo, em todos os tempos. Desde que escutadas no volume máximo, claro.

Troco todos os meus singles do MJ por essas duas gravações.

Prontofalei.

Também vou dar meu palpite sobre a morte do Michael Jackson.

Tenho direito, afinal, ele afetou minha vida! Eu também estava lá, nas festas embaladas pelas músicas dele, na época do segundo grau.

Meu palpite é uma pergunta.

Ele não embraqueceu sozinho, não operou o próprio nariz.

Ele foi um tolo, doido, ridículo?

E os “médicos” que f**deram a saúde dele pra panhá uns milhõezinhos?

São o que?

Ah, tá.

Lembro daquela manchete de jornal que escandalizou a rede globo, faz um tempinho (to sem saco de procurar, tá em algum lugar desse blog ou do antigo).

“Meninas prostituídas por um real!” .

Tipo, se fosse por cem reáu era menos escandaloso?

Já cansei de ver cirurgião plástico operando mulheres sem indicação porque elas ‘pediram’. Incapazes de usar seu conhecimento profissional em prol da saúde das incautas.

Já vi também cirurgiões inventando indicação pra operar mulheres que nem pediram.

E nem era pra panhá uns milhões, em geral são uns trocados, mesmo.

Prostituição por alguns milhões é menos escandalosa?

A mim interessa o que o cara foi como profissional.

A vida pessoal dele? Quem aqui é santo pra cair em cima?

Afafavô.

Salve Nando!

O Zen nosso de cada dia:

Tension is who you think you should be.


Relaxation is who you are.”


Postado no blog do Nando.  Simples e maravilhoso,  como sempre.

Eu adoro esse jogo!

goleua

foto da Folha de São Paulo de hoje

Bem jogado, adoro mesmo. E este jogo foi ótimo, disputado, bem jogado, na bola. E ganhou quem jogou melhor, sem firulas. Que o Brasil siga o exemplo dos EUA, amanhã, e jogue com seriedade e competência o que sabe, sem rebolar pras câmeras (e pros empresários).  Pena que não vou poder assistir. Tomara que Domingo tenha Brasil e EUA…

Antigamente, nos curativos das feridas eram usados teia de aranha, leite, mel, urina humana, tinta de caneta, defumação, ervas as mais variadas, cinzas, água do mar, etc.

As pessoas iam jogando, empiricamente, os ingredientes no machucado. Eventualmente verificavam que determinada ferida, tratada com aplicação de açúcar, por exemplo, melhorava. A partir daí, o tal ingrediente entrava para o arsenal terapêutico.

Mas ninguém sabia o mecanismo pelo qual aquela substância atuava. Ainda bem que nós não vivemos mais aquela época! Hoje, as pessoas não jogam mais aquelas coisas estranhas nas feridas.

Hoje nós pegamos elegantes tubos de pomadas, frascos de degermantes, sprays coloridos, óleos cheirosos e vamos jogando seus conteúdos pra dentro das feridas.

Na maioria das vezes por conta própria e sem fazer a menor idéia do mecanismo de ação daquilo!

curativo

Aos que estão interessados em fazer direitinho:

Genericamente, o que cura uma ferida pequena é a limpeza dela.

Ferida pequena:  de modo geral, podemos definir feridas pequenas como aquelas que não passam da gordura subcutânea, em profundidade, e não passam de 5% da superfície corporal em extensão.

Exemplo, um motoqueiro sem jaqueta nem capacete que cai e vai se ralando pelo asfalto e chega no hospital com milhares de feridas pequenas vai necessitar de tratamento como se houvesse sofrido um grande ferimento.  Uma pessoa queimada de segundo grau em mais de 20% , mesma coisa: profundidade superficial, mas agravada pela extensão.  Aí, claro, não consideramos a ferida como pequena, apesar de ela ser superficial.

Limpeza: limpar uma ferida não é esfregar com violência, não é jogar sabão dentro dela, nem álcool, água oxigenada, povidine, merthiolate, nada disso.

Limpar o ferimento é retirar de dentro dele sujeiras em geral, como asfalto, cacos de vidro, o óleo de dendê que a tia colocou, farpas, etc., assim como coágulos, pedacinhos de pele, cabelos. Detalhe, se os resíduos não saem facilmente, deixe-os no local, e leve a pessoa ao hospital.

Esta limpeza deve ser feita, de preferência, com soro fisiológico, se possível morno.

Uma ressalva: se uma pessoa sofreu queimadura nos olhos por qualquer produto químico, não espere o médico, nem seu marido ir à farmácia comprar soro fisiológico. Pegue imediatamente QUALQUER fonte de água, e ponha pra correr copiosamente sobre os olhos da pessoa. Põe no chuveiro, pega a mangueira do jardim, água mineral, qualquer coisa, mas lave os olhos da pessoa imediatamente, pelo menos por uns 20 minutos ininterruptamente, depois obviamente leve-a ao hospital.

Mas, a ferida.  Alguém se feriu em casa. Antes de mais nada, alguém tem que estar calmo. A maioria dos ferimentos domésticos são superficiais, o que significa que colocando um pano limpo por cima e aplicando uma pequena compressão sobre ele o sangramento pára. Não precisa pânico. Primeira coisa, comprimir levemente o local, mesmo que doa um pouco. Se possível, elevando o local acometido, isso também diminui o sangramento – pé pra cima, mão pra cima, sentado em vez de deitado, se foi em face, etc.

Se sangrou muito, vá ao hospital, mas vá comprimindo a ferida, não vá pingando sangue pelo caminho, por favor. Não precisa ter medo, basta encostar a mão de leve em cima e fazer pequena compressão. Tenha medo, isso sim, da anemia aguda que esse pinga pinga acaba provocando!

Bom, e as pomadas?

Pomada não substitui limpeza, certo? Então, primeiro limpamos a ferida, porque nenhuma ferida suja cicatriza, por mais porreta que seja a pomada.

Eventualmente a própria pomada, se usada inadequadamente, pode atrapalhar a cicatrização. Porque a finalidade da maioria das pomadas é criar um filme, uma barreira protetora. Se você joga aquilo dentro da ferida, vai estar impedindo a união dos seus bordos.

Pomadas são boas sobre crostas, debris, sobre pele íntegra que está sofrendo com líquidos de colostomia, em áreas de atrito, ou para proteção contra assaduras por líquidos corporais como urina, etc.

Ou sobre feridas superficiais e extensas, que necessitam desse filme protetor sobre elas para evitar que se aprofundem por ressecamento.

Também costumo usar pomada sobre alguns pontos de sutura, para ao mesmo tempo fazer uma película protetora e evitar que a gaze do curativo grude pela ação de algum sangue que saia e coagule ali.

Cicatrizantes são os processos do seu corpo, a inflamação é parte importantíssima da cicatrização, a coagulação também, e, como já disse aqui, todos eles acontecem espontaneamente, basta que a gente ajude retirando tudo o que atrapalhe o trabalho dessas células, por isso devemos limpar o local e ao mesmo tempo não jogando produtos químicos dentro.

Mas e as feridas infectadas, ou com necrose?

Feridas infectadas, ou seja, com pus, precisam de … limpeza, ora.

Nesses casos, é importante que um médico examine o local, e avalie se é necessário complementar a limpeza local com antibiótico sistêmico (comprimidos ou injetável) ou tópico (geralmente em forma de pomadas, cremes ou spray).

Pode ser um pé diabético, uma mordida humana, ferida por faca, vidro, queimadura, pós operatória: ferida infectada precisa de limpeza, e de não ser mais agredida ainda com produtos químicos.  Eventualmente um curativo oclusivo, aí a pomada pode ser usada para o curativo não grudar, porque se a gaze gruda na ferida, ocorre dor na hora de retirá-la, além disso a fina camada cicatricial que estava se formando ali sai junto, agarrada na gaze.

Feito o cuidado local, obviamente vai-se dar o suporte orgânico, uma pessoa idosa com escaras não vai cicatrizar se estiver desnutrida, um diabético precisa ajustar a dose da insulina, etc etc.

Pomadas são para superfícies de pele íntegra ou extensamente desepitelizada, não são feitas para uso dentro de uma ferida, como se fossem acelerar, viabilizar ou otimizar a cicatrização. Não vão.  O que ajuda na cicatrização é a limpeza da ferida.

Por outro lado, existem os óleos com ácidos graxos essenciais, que, ah, esses sim, podem ajudar e muito na cicatrização, mas, oh, esses óleos só funcionam dentro de feridas…. limpas.

Existem feridas complexas, sim, existem feridas difíceis de cicatrizar, feridas que se aprofundam a despeito do tratamento, feridas que requerem cirurgia, internação, antibiótico venoso.

Não compliquem, não tenham medo, não inventem curativos por conta própria.  Pra essas feridas existem os médicos e enfermeiros, muitos inclusive especializados em curativos.  Use-os!

Pra ler degustando

Se você está com pressa, não vá olhar esse blog agora.

Mas, guarde o link, e volte depois, com calma.

Adorei o “Medo de Avião”:

“Acidente moça, dá vontade de dizer, é eu estar aqui, ser humano, em pleno ar a voar, a querer imitar passarinho, isso é um acidente, é pura contradição é algo que não dá pra explicar não : eu aqui dentro de um AVIÃO…. isso sim já é o acidente …. e sem explicação….”

Na verdade, adorei o blog todo, que, como tudo o que vale a pena, precisa de calma pra ser curtido.

Aliás, devo dizer, ando preferindo esse tipo de leitura a, por exemplo, coisas telegráficas do tipo Twitter. Como já dizia Matusalém, “ainda bem que tem gosto pra tudo”,  né.

Filosofia Badaud

aspas

Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas.

Eu discordo.

Acho que Deus escreve certinho, com uma caligrafia linda e perfeita.

A gente é que na maioria das vezes é analfabeto, ou não enxerga direito o texto.

In Treatment

Yeah, I have another addiction.

Pros desafortunados que não viram, In Treatment é uma séria da HBO, protagonizada pelo psicoterapeuta Paul Weston, que por sua vez faz sua própria terapia com Gina, sua ex-professora.

paul gina

Se você acompanha a série e não gosta de spoiler, não leia o resto do post.

Do episódio final da última temporada, uma pérola, colhida do meio da sessão dos dois:

“(Gina): – Como foi com seus pacientes esta semana?

(Paul): – Bem, fiz o que você disse, agi como se acreditasse que os estava ajudando.

(Gina): – E ajudou?

(Paul): - Pra ser sincero, estava meio cético no começo. Me sentia meio hipócrita, e temia que eles notassem.

(Gina): – Claro que sentiu-se assim.

(Paul): - Mas então, estranhamente, algo começou a acontecer. Estava falando com o pai do Oliver sobre responsabilidade, sobre o que é ser pai e manter o contato com seu filho. Falava por nós dois, na verdade. E acho que o convenci. Ainda estava duvidando de mim mesmo, mas segui insistindo, sabe? Não conseguia acreditar que algo assim tão simples pudesse de fato funcionar. E continuou funcionando, sabe?

(Gina): - Não. Você é um bom terapeuta, e tenho certeza que fez um excelente trabalho esta semana, apesar da insegurança que sentia.

(…)

(Paul): – Sabe do que me dei conta esta semana? Trabalhando deste jeito, poderia nunca saber se estou mesmo ajudando as pessoas. Não é como se estivesse tentando tirar a carteira de motorista, ou passar no vestibular, ou algo parecido. A única forma que tenho para saber se os estou ajudando, é saber como se sentem a respeito, e como suas vidas seguirão dali em diante. E eles só saberão disso muito tempo depois de terminar a terapia.

(Gina): - O que quer dizer, Paul?

(Paul): - Estou dizendo que estas pessoas, quando vem até mim, querem que eu resolva seus problemas, e a verdade é que, acho que tudo o que posso fazer é caminhar com elas por um tempo, fazer-lhes companhia durante um tempo difícil. Não acho que a vida de alguém possa ser decifrada, mas é da nossa natureza seguir tentando dar-lhe um sentido. E algumas vezes podemos ser ajudados, nisso. Isso se tivermos sorte e acharmos alguém que nos ouça. Não precisa ser alguém perfeito… Mas alguém que já se ferrou o suficiente para entender pelo que estamos passando.”
… pena que acabou a temporada.

Boas Novas!

A querida Beth Salgueiro, como sempre, colocando no seu blog o que há de melhor pela net.

Olha que site legal !

É a Beth que conta: “…. diferente da maioria dos veículos, o Boas Novas vai divulgar só coisas boas, a partir das iniciativas positivas que certamente convivem lado a lado com as catástrofes e mazelas cotidianas brasileiras.”

Adorei!

Estou na fila do caixa, na farmácia.

Diz a moça, pro vendedor:

- Tem Rifocina sem ser a amarela?

- Não.

- Hm… Tem algum outro cicatrizante?

- (inaudível).

E a moça agradece e sai.

Pensei em ir atrás dela, mas fiquei com medo que ela se assustasse, ou simplesmente não acreditasse que eu sou médica, cirurgiã etc. – quer dizer, uma pessoa que vive da cicatrização e tal.

Prefiro escrever aqui, quem sabe uma pessoa lê, comenta com uma outra, e outra com outra, e um dia a idéia chega até ela: RIFOCINA É ANTIBIÓTICO. ANTIBIÓTICO MATA BACTÉRIA, NÃO É CICATRIZANTE!

Por partes.

O que é cicatrização? Por que alguém precisaria de um “cicatrizante”?

Cicatrização é um processo que ocorre espontaneamente em indivíduos sadios. Portanto, o que uma pessoa lesionada deveria fazer é não atrapalhar o processo. Mantendo a ferida bem limpa, principalmente, e protegida. Alguns machucados beneficiam-se de uma pomada, ou outro produto que os mantenha umidificados. Mas, nem todos. A limpeza, sem dúvida, beneficia a todas as feridas. Pomadas, nem sempre. Antibióticos, só para as feridas infectadas.

Não existe um produto que ponha as células pra trabalhar mais depressa. Imediatamente após a lesão, macrófagos, fibroblastos, plaquetas, miofibrilas, começam a agir, quer você queira ou não. E eles sabem o que fazer, como e quando fazer. Basta não atrapalhar, ou seja, não jogar dentro da ferida limpa produtos cáusticos como iodo, nem tampouco detergentes, água oxigenada, clara de ovo, pó de café. Ao mesmo tempo, remover da ferida (ou deixar que um médico o faça) coágulos, farpas, areia, etc.

Uma pessoa pode auxiliar sua cicatrização não fumando, por exemplo. É mais que provado, estudado, publicado, constatado, que fumantes cicatrizam mal. Bom, fumantes têm todas as funções celulares comprometidas, e a cicatrização não é excessão.

Também ajuda consumir frutas e verduras regularmente, fazer exercícios regularmente, não manter-se obeso nem magro excessivamente.

Ficar alegre também ajuda. Deprimidos cicatrizam muito mais lentamente que os não deprimidos.

Todos os fatores citados são “cicatrizantes”.

Sobre a Rifocina.

Rifocina® = RIFAMICINA = antibiótico.

Pra que serve, e quando usar um antibiótico?

Antibiótico serve para matar ou inibir o crescimento de bactérias, seres celulares. Ou seja, é indicado quando há infecção bacteriana.

Antibiótico não é cicatrizante, nem analgésico, nem anti viral. É só um remédio contra bactérias. Se não há bactérias patogênicas atuando, não existe motivo para usar antibiótico (existem bactérias não-patogênicas, ou seja, que não causam infecção).

Como eu sei se há bactérias patogênicas atuando ?

Quando uma pessoa se machuca, desencadeia uma reação inflamatória, fisiológica, destinada a mobilizar as células para o trabalho da cicatrização. Sim, nem toda inflamação é sinal de problema! Inflamação também acontece em feridas limpas, não infectadas e completamente inocentes (como a que eu tive quando cortei o dedo com uma faca, em casa). Aí aparecem sinais inflamatórios (na intimidade conhecidos como ’sinais flogísticos’) :

- Dor

- Rubor

- Calor

- Tumor (edema).

Esses quatro são sinais de uma reação normal, fisiológica, necessária à cicatrização e que não deve ser combatida.

Claro, se a dor é grande, pode-se usar um analgésico. Mas nada disso significa que a ferida está infectada, infeccionada, contaminada ou mesmo colonizada por bactérias patogênicas.

Uma ferida demonstra estar infectada quando demora muito para cicatrizar, ou quando a vermelhidão e a dor são muito maiores do que o normal, no local, ou quando há saída de pus, etc.

Eventualmente pode ser indicado o uso profilático de um antibiótico, ou seja, a ferida ainda não infectou, mas existe grande risco de vir a infectar-se. Essa indicação de uso de antibiótico (assim como a indicação de qual antibiótico usar) deve ser feita por um médico – ou dentista, eventualmente.

Por quê tanta firula e bla bla bla por causa de um simples antibiótico? Qual o problema em usar uma Rifocinazinha? A vizinha usou e não aconteceu nada de ruim com ela! Minha familia usa Rifocina há décadas e é um santo remédio!

Qualquer medicação tem efeitos colaterais, por isso só deve ser usada quando o benefício supera o risco.

Água e oxigênio, usados indevidamente, têm efeitos colaterais.

Rifocina (mesmo tópica) pode causar:

Náuseas, vômitos, diarréia, anorexia. Erupções cutâneas e urticária. Síndromes de tipo gripal. Disfunção hepática (icterícia e elevação das enzimas hepáticas). Eosinofilia, leucopenia e púrpura trombocitopênica. Coloração avermelhada da urina, saliva e de outras secreções do organismo”.

Além disso:

“A rifamicina é um indutor do citocromo P450, reduzindo as concentrações plasmáticas dos anticoagulantes orais, corticosteróides, estrogênios (contraceptivos orais), fenitoína e sulfonilureias, comprometendo a sua eficácia terapêutica.”

Além disso, o uso indevido, mal indicado e inadequado dos antimicrobianos mata as bactérias fracas e deixa as mais fortes livres para se reproduzirem e originarem ‘cepas’ cada vez mais resistentes.

Em outras palavras, em alguns casos, a resistência de uma bactéria pode ocorrer com uma simples mutação, o que significa que uma bactéria em um milhão pode desenvolver resistência, e daí multiplica-se e pronto, está criada uma nova cepa resistente àquele antibiótico.

Ah olha, sem querer cortar a sua conversa aí dotôra, eu vou é continuar a usar a Rifocina nos machucados dos mininu, porque é um santo remédio, as ferida cicatriza que é uma beleza.

*Suspiro*.

(post feito ha um ano atrás, reupado a pedido. depois falamos sobre antiinflamatórios, ok)

“Vou lhe explicar a natureza do Universo.

Na verdade, só há um instante.  O agora.

É um instante, em que Deus faz uma pergunta:

‘- Você quer ser um com a eternidade? Quer estar no Paraíso?’ .

E todos estamos dizendo ‘não, obrigado, ainda não’.

O tempo é esse constante dizer não ao convite divino.   Isto é o tempo.

Só há um instante, e é nele que estamos sempre.

Há só uma história, a que vai do ‘não’ para o ’sim’.

Toda a vida é ‘não, obrigado’.

E, finalmente, ’sim, desisto’ ’sim, aceito’ ’sim, me entrego’.

Todos chegamos ao sim, no fim, certo?”

Do Waking Life

Piadinha de salão

Duas vacas conversam.

Vaca 1 diz:

- Muuuuuuuuu…..

Vaca 2:

- Eita, eu ia dizer isso!

Estou sinceramente preocupada com a quantidade de mulheres jovens, obesas, que dizem a mim que pretendem submeter-se a uma gastroplastia.

Cada uma com seus motivos:

“Eu não tenho tempo de esperar uma dieta fazer efeito, preciso arrumar um namorado rápido”;

“Eu preciso da cirurgia, porque o meu colesterol está alto, sabe?”

“Já tentei esse negócio de dieta; perdi 30 quilos e ganhei tudo de novo. Agora, pra mim, só a cirurgia mesmo”.

Ok. Vamos por partes.

Não faço cirurgia geral, mas como cirurgiã plástica de um hospital onde se fazem gastroplastias já lidei por alguns anos com pacientes que passaram por esta cirurgia.

E como plantonista de UTI também.

Quem me conhece sabe que, mesmo em meu consultório, mesmo a pessoa estando disposta a pagar por uma cirurgia, só concordo em operar quando avalio que os riscos da cirurgia podem ser superados pelos benefícios.

Já fui procurada no consultório por moças com mamas bem bonitas, querendo “colocar silicone” pra “turbinar” (argh).

À custa de perder o dinheiro pelo pagamento da cirurgia, com paciência explico que neste caso, os riscos todos, e as marcas das cicatrizes são muito maiores do que o pequeno benefício que se pretende alcançar. Pra valer a pena operar, precisa ter muita necessidade, aí o benefício compensa o risco. Na minha opinião.

O mesmo se aplica às gastroplastias. A grande maioria das meninas que sonha com a ”redução do estômago” não tem a menor noção do que seja esta cirurgia.

Já escrevi no blog que “tomar remédio pra emagrecer é como desligar o alarme de incêndio quando a casa está pegando fogo, e nada fazer pra apagar o fogo”.

A obesidade é o alarme, o sinal de que algo não bom está acontecendo. Ao invés de ir buscar o motivo que a fez engordar, a pessoa tenta calar o alarme, tomando remédio.

Com remédio podemos emagrecer, mas a fagulha do incêndio ainda vai continuar lá, intocada. Pode acreditar, ela vai arrumar outra via pra se expressar, e se você perde a chance de direcioná-la, sabe Deus que forma aleatória ela vai conseguir para dar seu recado a você.

Pra nós, que somos pouco conscientes das coisas da alma, as doenças e incômodos em geral são avisos, materializações de pedidos de atenção – pedidos de nós mesmos, de nosso ”eu superior”. Não são castigo, não são sinais de fraqueza. Ao contrário, são placas de aviso, ”não siga por aí!” – e a gente, ao invés de pelo menos tentar entender o aviso, ignora a placa, move mundos e fundos pra remover a benevolente pedra que foi posta no caminho, e segue de nariz empinado na rota inicial, como um trator.

O livre arbítrio nos permite fazer isso, ignorar os avisos.

Bom, o que dizem os sábios é que o nosso ”eu superior” sabe muito mais das coisas do que nosso ego consciente.

Tomar remédio pra emagrecer já era uma resposta pouco gentil aos avisos do corpo. ”Cala a boca e emagrece, droga!!”

Mutilar o seu sistema digestivo é um upgrade gigantesco, de violência. “Vou te cortar e jogar fora, quero ver você abrir a boca de novo”. Fazendo isso, mais alguns nós apertados são acrescidos ao já embolado novelo.  Um novelo embolado precisa de paciência e delicadeza pra ser desembolado, gestos bruscos só apertam mais ainda os nós.

Cirurgia é boa pra quem precisa de cirurgia. Se você é jovem, se não está gravemente adoecida por causa da obesidade mórbida, dê graças a Deus por isso, e comece a trabalhar, é o que eu sugiro.

Não é fácil? Ótimo, tudo o que vale a pena na vida não é fácil. Como criar um filho, passar em um concurso disputado, manter-se saudável e bonita não é fácil. Requer trabalho e atenção diários.  Quem disse que era pra ser fácil, que era só deitar em uma mesa de cirurgia, dormir e quando acordasse tudo estaria resolvido?

Vou escrever aqui o que disse à última moça que me procurou avisando que ia procurar a gastroplastia:

- ”Você passou 40 anos engordando, não queira emagrecer em um mês.

Até porque nesses 40 anos você não só engordou. Você também fez mil coisas legais, você criou seus filhos, apoiou seu marido, manteve a casa em ordem, trabalhou, auxiliou seus pacientes, deu aulas pros colegas e abriu seus horizontes.

Claro, você também com certeza fez muita besteira, faz parte do aprendizado.

Hoje, você precisa lembrar disso, e ser paciente com você mesma. Precisa ter paciência mas também firmeza.  Não se mutilar, mas começar a mudar os hábitos. Sim, demora, mas vê, quantos anos você levou se maltratando pra engordar assim? Em geral, com boa disciplina, em dois anos de trabalho você consegue emagrecer um bocado, com saúde e equilíbrio. Relativamente rápido, né?”

Os profissionais estão aí pra ajudar. Nutricionistas, psicólogos.

O problema é que eles só ajudam, quem faz o trabalho é você – e quem recebe os benefícios depois também é você. No início, é difícil vencer a inércia, fazer o primeiro movimento. Depois, a cada dia tudo vai ficando mais leve.

Lidar com a perda, mesmo do seu peso, não é fácil.  Use sua imaginação e procure coisas pra colocar no seu lugar, é o que eu sugiro. Fazer terapia pode ajudar. Nada vai mudar do dia pra noite, não precisa se transformar em heroína, atleta, monja.  Simplesmente acolha e reverencie quem você é, tudo de bom que já fez por si mesma e pelos outros. Acolha seus erros também, aprenda com eles.

Se ajude um pouquinho só; se for honesta e perseverante, verá como começam a surgir ajudas externas, como se ”alguém” lá em cima tivesse ficado todo contente, porque você decidiu acordar.

Não precisa complicar, ao contrário! Seja simples , Seja simples , Seja simples” – é o que diz o sábio.

A Resposta

“Para mim também , a resposta de Sri Aurobindo é sempre a mesma :

Seja simples , Seja simples , Seja simples .

O que ele chama de simples é uma espontaneidade alegre , em ação , em expressão , em movimento , em vida .

Para redescobrir na evolução aquela condição que ele chama de divina , a qual foi uma condição espontânea e feliz .

Ele quer que nós redescubramos isto .”

Agenda da Mãe , Vol 2 , pag. 255

‘Corações livres’ é o título de um filme dinamarquês.

poster

Do jeito que eu o vi, mostra pessoas livres não pra sacanear ex parceiros, mas livres para viver com integridade o que sentem.

O filme tem potencial revolucionário, pra mim, quando mostra que não é crime ter integridade. Que você pode e deve ter consideração com quem te ama, mas não precisa por isso deixar que quem te ama te devore.

E aí, extrapolando o foco do filme, acho que entram mãe, pai, filhos, maridos, mulheres. Obrigada por me amar, mas, como canta o Lulu, ‘eu conheço meu rumo, e não é nessa direção’.

Conhecer o próprio rumo, ou seja, escutar e dar crédito ao próprio coração, é sinal de grande integridade, acho. Coisa que se conquista, amadurecendo. Só que, se você recebe a informação de que não é crime, nossa, quanto tempo de terapia economizado, quanto desgaste à toa poupado.

Porque energia afetiva/sexual mal transada, se não for a maior é uma das maiores causas de desgraças da humanidade, seguramente. Gente frustrada ou desorientada sexual/afetivamente é o que há de perigoso, porque é uma energia muito, muito forte, que se não canalizada, vai arranjar um jeito de sair por conta própria, não direcionada, sabe-se lá com que prejuízos.

Energia sexual/afetiva reprimida por preconceitos, hipocrisias, ‘costumes’, em geral acaba ‘vazando’ em forma de intolerância, raivas inexplicáveis, ou depressões, fechadas no trânsito, maledicências, crimes passionais ou não, etc etc.

Então, Corações livres djá!!!!

em tempo, antes que alguém pense que estou fazendo apologia (argh) de adultérios, ou qualquer outra sacanagem em geral. os personagens não ‘traem’ os parceiros. eles simplesmente são fiéis a si mesmos. o que é muito diferente. vendo o filme você vai entender.

Aprendendo a irritar

Faz tempo, recebi a receita de como irritar um médico:

Como irritar um médico em 11 passos:

1. Comece a consulta reclamando da demora, mesmo que tenha sido atendido rapidamente. Depois, diga ao médico que ele é o terceiro que você procura pelo mesmo motivo, e que você só quer mais uma opinião, pois não confia muito em médico. Diga também aquela frase clássica: “Cada médico fala uma coisa!”;

2. Nunca responda diretamente às perguntas. Caso ele pergunte se você teve febre, diga que teve tosse. Conte tudo detalhadamente, começando, se possível, desde quando você ainda era criança….

3. Leve sempre 3 crianças com você (nem precisa ser seus filhos): especialmente aquelas que mexem em tudo, sobem nos móveis e ficam fazendo perguntas no meio da consulta. Combine, previamente, com uma delas, para quebrar o termômetro do médico;

4. Peça receita de um medicamento controlado. Diga que não é para você, mas para uma vizinha muito amiga sua. Não esqueça de dizer que ela toma esses remédios há anos e que não fica sem eles, e que você quer retribuir um favor dela;

5. Quando o médico perguntar que remédio você está tomando, diga que não se lembra do nome, mas “que é um comprimido branco” e que você está pensando em parar porque não está funcionando e está “atacando o estômago” como, aliás, todos os comprimidos que você toma. Aproveite para pedir uma “injeção”;

6. Quando o médico estiver se despedindo de você, na sala de espera, diga bem alto, para os outros ouvirem também: “Vamos ver se agora o senhor acerta !”;

7. No retorno da consulta, inicie com: “Estou pior que antes”. Aproveite para incluir, no relato, novas queixas. Diga que você passou por um farmacêutico, muito antigo e muito conceituado no bairro que a sua tia mora, e ele resolveu trocar os remédios;

8. Insista para que o médico tente descobrir a causa daquela cólica que você teve há seis meses, e que desapareceu misteriosamente. Insista em contar os sintomas com riqueza de detalhes;

9. Traga os exames solicitados por médicos de outras especialidades. Se ele for clínico geral, consiga um eletroencefalograma para ele dar laudo. Pergunte se ele faria o favor de ver a mamografia da sua vizinha (outra);

10. Descubra onde seu médico dá plantão à noite, e só passe a procurá-lo lá. Dê preferência a hospitais públicos, onde ele não ganha por ficha de paciente;

11. No final da consulta, pergunte se ele não faria o favor de dar um atestado, pois você não “teve condições de trabalhar hoje”, ou, então, diga que você tinha que resolver uns probleminhas e não deu para ir trabalhar.


Pois recebi no email a fórmula da forra dos médicos:

Como irritar seu paciente em 11 passos:

1) Chegue sempre atrasado.

2) Chegue bocejando (seja que hora for).

3) Cumprimente somente os funcionários.

4) Demore a chamar pelo primeiro paciente.

5) Diga que seu “aparelho de pressão” está quebrado.

6) Diga que sente os mesmos sintomas dos quais seu paciente reclama.

7) Finja que seu celular está em modo de vibrar, e o atenda pelo menos umas 4 vezes durante a consulta.

8 ) Erre o nome do paciente propositalmente o tempo todo, em seguida peça desculpa e boceje.

9) Limpe as unhas com o receituário na frente do paciente.

10) Tente não piscar e fique de boca aberta durante alguns minutos olhando fixamente para o seu paciente.

11) Diga que genéricos não prestam, só use os mais caros. Nem similares servem.


the_good_doctor

Nada a ver

Coisa triste, isso aqui.

E eu pensando que a pessoa precisava ser alfabetizada pra conseguir emprego escrevendo em um grande veículo de comunicação.

Pois estava atendendo a consultas, quando chega um senhor.
- Doutora, vim aqui porque tenho essa bola no braço!
- Onde?
- Aqui, ó.
Procura daqui, procura dali, consigo sentir uma irregularidade em meio ao tecido adiposo. Do tamanho duma cabeça de alfinete, aproximadamente.
- Dói?
- Não. Bom, agora dói um pouco, de tanto eu apertar pra procurar ela.
- Este ponto, que você sente, você notou que vem crescendo?
- Não, está do mesmo tamanho, desde que o percebi pela primeira vez há uns dois meses. Mas hoje resolvi vir ao hospital pra ver isso, por causa desse negócio da Vilma!
- Que Vilma?
- A ministra!
Juro.
Mais tarde, entro em uma sala cheia de médicos, um deles contando que atendeu várias pessoas naquele dia que o procuraram preocupadíssimas se não tinham também um câncer como o da ministra.

Amigos, estou bem,  mamãe Badaud também.  Muito obrigada a todos que perguntaram e torceram.

Como o mar precisa recuar antes de formar uma onda, estou em um momento de ‘recuo’, que não é imobilidade,  mas sim parte de um movimento.

Dia desses volto com mais papos, aqui.

… A verdade é que ainda não estou 100%.

Passei dois meses acampada num quarto de hospital, mudando roupa de cama diariamente, acordando de hora em hora todas as noites, empurrando maca (depois eu conto), chorando escondida quando dava – e nem sempre era possível, discutindo com médicos e quase entrando em luta corporal com um ou dois técnicos de enfermagem (don’t ask),  checando resultados de exames assustadores sem tempo de piscar um olho pois providências eram necessárias, pedindo ajuda a colegas – e sendo atendida, Deus abençoe os amigos.

Não fiz favor nenhum, fiz o que precisava fazer tanto quanto era preciso respirar.

Neste período, nenhum problema de saúde me atingiu, zero.

Eu, que tinha crises de enxaqueca se despertada abruptamente no meio do sono. Mil vezes isso aconteceu nestes dois meses, zero enxaqueca.

Eu, que tenho lombalgia se o colchão não for lá essas coisas, ou se estiver tensa – lombalgia daquelas paralisantes – dormi o tempo inteiro em um colchão de hospital (ou seja, terrível) completa e constantemente tensa. Zero lombalgia.

Minha mãe teve alta, ficamos em casa fazendo o restinho da recuperação, ela deitada recompondo as forças, eu fazendo o ’sirviçu’ de casa, compras de supermercado, etc. Não lembrava, nesse período, que meu corpo existia.

Agora, estou começando a retomar a vidinha.

Estou resfriada, tossindo, o corpo todo dói e suo horrores quando tomo Dipirona. Preciso resolver algumas coisas, menos urgentes do que aquelas que eu resolvia lá todos os dias – cadê energia?

Outros pequenos problemas de saúde também deram uma pipocada, mas já estão se resolvendo.

Seja qual for o nome disso, vou esperar passar, antes de voltar a postar aqui.

Agradeço de novo a todos que enviaram emails ou comentários. Muito obrigada, logo tudo volta ao normal.

Tiromancino

Due Destini

Ti ricordi i giorni
chiari dell’estate
quando parlavamo
fra le passeggiate

stammi più vicino
ora che ho paura
perché in questa fretta
tutto si consuma
mai non ti vorrei veder cambiare mai

Perché siamo due destini che si uniscono
stretti in un istante solo
che segnano un percorso profondissimo
dentro di loro

superando quegli ostacoli
se la vita ci confonde
solo per cercare di essere migliori
per guardare ancora fuori
per non sentirci soli

Ed è per questo che ti sto chiedendo
di cercare sempre quelle cose vere
che ci fanno stare bene mai io non le perderei mai

Perché siamo due destini che si uniscono
stretti in un istante solo
che segnano un percorso profondissimo
dentro di loro

superando quegli ostacoli
che la vita non ci insegna
solo per cercare di essere più veri
per guardare ancora fuori
per non sentirci soli

parte da trilha do filme ‘Le Fate Ignoranti’

A todos que desejaram melhoras pra minha mãe, informo que as preces deram certo. Muito obrigada!

Estive com ela em um hospital com muitos recursos médicos, mas sem wi fi nem lan house. Como não arredei o pé do lado dela, enquanto ela esteve internada não cheguei perto de computador pra ler e responder aos comentários.

Em breve, pretendo responder, e agradecer a todos que desejaram melhoras, e também escrever um pouco sobre a experiência de estar do “outro lado” do atendimento médico – o lado do paciente.

Por mais que eu sempre tenha procurado me colocar no lugar das pessoas que atendia, estar precisando ser atendida dá uma perspectiva muito diferente da situação.

Até breve, então.

Dois policiais militares, uniformizados, com coletes a prova de balas, armados, esperavam o sinal abrir para atravessar. Cheia de respeito, cheguei perto, pois também ia atravessar.

Policial 1 para policial 2:

- Pois eu até emagreci, mas fiquei com a barriga flácida, sabe como?

Também nas ruas do Rio cheguei  à conclusão de que quem mente no celular, mente baixinho. Todo mundo que escutei falando alto, dizia a verdade:

- Tô aqui na Siquêra…   - e estava mesmo. - Tô na Sendas… - e era verdade. Impressionante.

No banco, esperando o gerente, um rapaz de aspecto bem simples, com seu jalequinho branco, falava pro senhor curvado na cadeira de rodas à sua frente:

- Calma, seu fulano, não precisa ficar apreensivo: eu estou aqui, com o senhor. Fique tranquilo.

Ele falou “apreensivo” , mesmo.  E até eu relaxei, com a presença dele ali.

Amigos, não tenho podido atualizar o Blog por estar acompanhando minha mãe, que precisou operar-se. Assim que der, volto. Beijos a todos.

- Eu não quero mais saber de ter filho não. Aliás, se eu soubesse nem teria tido filho nenhum.

- Queisso, fulana. Diga isso não.

- Digo. Hoje, só teria filho se fosse com o Lula ou com o dono do mercadinho lá perto de casa, rico que só.

__________________________

- Eita, lá vem outra novela com a mesma história de todas as outras, tudo igualzinho.

- É, impressionante como as pessoas ainda assistem isso.

- E se aperreiam!

- Hahahahahaha..

- É! Ficam com raiva, preocupados, mesmo sabendo o que vai acontecer no final. Não dá pra entender.

- Dá não.

Lembro que um dia, quando da invasão americana ao Iraque, um jornal da tevê mostrou um prédio inteiro destruído porque os americanos teriam sido informados que o Bin Laden estava lá.

Lembro que pensei, puxa, um país declara abertamente a intenção de assassinar alguém, e pior, destrói praticamente um quarteirão inteiro de uma cidade ainda habitada por civis, crianças inclusive, e ninguém diz nada.

Lembro que a ONU disse alguma coisa, mas foi solenemente ignorada e ficou por isso mesmo.

Lembro que os ingleses apoiaram os americanos.

Não lembro de passeatas a favor das crianças iraquianas, não vi vídeos comoventes com elas chorando. Não vi ninguém disposto a questionar a matança de civis e a destruição de toda a estrutura de um país inteiro como foi e continua sendo feito pelos americanos no Iraque.

Por sinal, também não lembro de nem uma rodinha de amigos num bar revoltados com a situação intolerável, há décadas, das crianças na África. Muito menos passeatas cobrando uma atitude decente dos governos em relação à miséria covarde que devasta a população do nosso continente-mãe.

Não sei, não. Não sei de nada.

*cansaço*.

Deu no Jornal do CREMEPE  (trechos):

A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou projeto que pune o médico que escrever prescrições e receituários ilegíveis.

Antes de seguir para o Senado, o texto será avaliado por duas comissões da Câmara. Caso haja aprovação, vai para sanção do Presidente da República.

A questão da legibilidade é complexa, pois cerca de 60% da população é analfabeta funcional. Logo, a escrita pode ser legível para alguns e ilegível a outros.

O presidente do Cremepe aponta que é preciso conscientizar a população de que, ao pegar a receita, deve-se ler e entender o que está prescrito.

Completo aqui.

Por um lado há esperança por ver que algum esforço ainda é feito para melhorar o problema da letra ridícula, indecente e ilegal de alguns médicos. Por outro… 60% de analfabetos.

*cansaço*

Mensagem

Verbos Sujeitos

C. Oyens e Zelia Duncan

Olhos pra te rever
Boca pra te provar
Noites pra te perder
Mapas pra te encontrar

Fotos pra te reter
Luas pra te esperar
Voz pra te convencer
Ruas pra te avistar

Calma pra te entender
Verbos pra te acionar
Luz pra te esclarecer
Sonhos pra te acordar

Taras pra te morder
Cartas pra te selar
Sexo pra estremecer
Contos pra te encantar

Silêncio pra te comover…
Música pra te alcançar…
Refrão pra enternecer…
E agora só falta você

Meus verbos sujeitos ao seu modo de me acionar
Meus verbos em aberto pra você me conjugar

Quero…vou…fui…não vi…voltei…
Mas sei que um dia de novo eu irei

Oração matinal

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir paz, sabedoria, força.

Quero olhar hoje o mundo com olhos cheios de amor.  Ser paciente, compreensiva, mansa e prudente.

Ver Teus filhos além das aparências, como Tu mesmo os vê, e assim ver senão o bom em cada um.

images

Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu espírito.

Que eu seja tão bondosa e alegre, que todos quantos se chegarem a mim sintam a Tua presença.

Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia eu Te revele a todos.

WTF??

eu-era-assim

eu-era-assim-2

Acho a silhueta de um iogue mais saudável, mais equilibrada do que a desse senhor bombado:

ioga

Eu queria ser honesta

Estava precisando de um programa para substituir o singelo “memo” do Palm, já que o chatérrimo Windows para Pocket PC usa o chatérrimo outlook pra sincronizar.

A microsoft me cansa, viu. Você só queria escrever uma notinha. Aí o programinha deles abre uma janela já com os campos específicos a serem preenchidos. E você só queria um campo em branco pra escrever um lembrete.

Aí você clica no local destinado ao título, ou nome da nota. Como você, na opinião deles, é uma anta, as opções já vêm pré determinadas.

Clico em Assunto e abre uma caixa: “Reunião com” “Conferência”“Viagem de Negócios” – entre outros (QUEM diabos faz tanta “viagem de negócios” ou tem tanta “conferência” que precise desses itens pré escritos?).

Eu merma queria editar esses itens, porque muitas vezes por semana marco a mesma coisa: “Cirurgia”. Muitas vezes por mês marco “Mamaplastia” “Blefaroplastia” “Retorno de Paciente”,  etc.

Em um pc de bolso, seria interessante ter esse recurso, para não ter que escrever letra por letra palavras repetidas com freqüência. Mas não, a microsoft não me permite editar os itens. A cada vez que vou adicionar uma nota, tenho que ler  “Viagem de Negócios”, desclicar isso e escrever  “Cirurgia – mamaplastia redutora” letra por letra. Malditos!

Já encontrei um forum onde era ensinado como entrar no registro do programa para editá-lo. Não quero mexer para não danificar. Ódio.

Encontrei um programa ótimo, simples, fácil de usar e completamente customizável. Tudo o que os programas da ms não são.

Baixei o demo, gostei, e ciquei em “Buy it”.

Preenchi os formulários, e cliquei em enviar. “Cartão de crédito inválido”. Hã? De novo. Inválido. Liguei pro banco. Nada errado com o cartão. Ajeitei os números de novo, no formulário. Inválido.

Eu tentei, eles não deixaram.

Aí peguei a senha no Emule, coloquei no iPaq e hoje sou mais uma feliz usuária do programa. Qualquer dia desses tento comprar de novo, acho sacanagem não pagar o trabalho dos programadores.

Que saudade do Palm e dos programas pra ele.

Que dureza…

Direto do Ego, do portal da Globo, mais uma da “líder de audiência” do país… É, não deixa de ser coerente. Seria engraçado se não fosse triste.

Não abandonei o blog. É só que as coisas a fazer abundam e o tempo ruge.

Mas eu volto.

Beijos e cuidem-se:

“Não há, como disse Myers, necessidade de purificação pelo fogo. O conhecimento de si mesmo é o único castigo e a única recompensa do homem”.

Léon Denis, em O problema do ser, do destino e da dor

Dúvidas

- Por que todo paraplégico de novela e de minissérie da Globo sempre volta a andar?

- Por que todo comentarista de economia tem voz rouca, cansada ou de além-túmulo, e os comentaristas de esportes gritam tanto (falando, não narrando gol)?

- Por falar nisso, por que, por que??????? os anunciantes todos na TV gritam TANTO?

- Por que a Leda Nagle sempre fala junto ou em cima ou em lugar dos convidados do Sem Censura??

- Por que os programas bacanas, relevantes e educativos passam todos por volta das 05:00 da manhã?

Não pago tv a cabo, como já contei. Acho desaforo pagar para ver propaganda. Mas já sinto um alívio por desabafar minhas terríveis dúvidas aqui, obrigada!

Gentileza gera…

Fui a uma bela e tradicional livraria, do Rio, chamada Leonardo Da Vinci.
Enorme, com as paredes forradas de livros do mundo inteiro, até o teto.

Nossa, obras completas dos maiores romancistas de todos os tempos, em todas as línguas. Livros sobre pintores, músicos, animais, tarô, cabala, flores.
Belos volumes , belo ambiente.
Música clássica ao fundo, uma senhora com ares de dona trocava idéias sobre uma receita, com um senhor.

Peguei um belo livro, para dar de presente à Mamãe Badaud, de aniversário.
Fui pagar. No balcão, uma moça de pele muito clara, olhos azuis.
Pedi para usar o telefone, ela muito gentil me ofereceu o da loja.

Nossa, como é bom estar em um ambiente civilizado, onde respira-se a cultura, a beleza e os bons modos.
Retornei do telefone, e ao me aproximar da vendedora, tive a impressão de ter escutado um palavrão. Obviamente um engano.

Mas a outra freguesa chegou mais perto, e fez a pergunta:

- Aqui se dá desconto para advogados?

A vendedora respondeu agressiva:

- SE-NHO-RA, somos apenas uma livraria, não uma editora. NÃO damos desconto para advogados, SE-NHO-RA, e blablabla.

- Ok, ok. Obrigada.

Ainda não era a minha vez de ser atendida.
Era hora de escutar a vendedora, que me elegeu pra ouvinte.

- Ora p***, imagina, desconto pra f*** de advogado, c****, que b***, c****!!!

Melhor calar, né. Aquela coisa, se contrariar é pior.

- Ah, desculpa, viu. Mas é o fim, eu sinto a raiva subir aqui, ó (no pescoço). Ai que ódio. Desconto pra advogados, é o fim! Eles ganham desconto de 20% nas editoras, mas mal sabem que os livros são previamente aumentados em 20%. Otários, idiotas! Argh!

Com minha boca grande, não me contive:

- Vai ver, ela só queria uma informação, só pra saber…

- Naaaaaah, essa gente é f****, ai que raiva!!!

Inacreditável. Fico pensando quantas vezes na vida eu já me aproximei de um balcão, pedi alguma informação e tive três gerações da família amaldiçoadas por isso.

Sei lá, talvez ela odeie música clássica, e o Vivaldi que tocava na loja tenha afetado os nêuvo dela. Ou odeia livros, ou odeia clientes, ou advogados, ou se odeia… alguma coisa estava fazendo muito mal, a ela, coitada.
O fato é que quebrou todo o clima de lugar civilizado, saco.

Pelo menos, Mamãe Badaud adorou o presente.

Esperança

Li essa no blog da Mara Luquet e senti um alívio por ver que mais alguém pensa parecido comigo:

“Acho que o mundo muda, pra melhor. Acho o capitalismo que vivemos nos ultimos anos insustentável (quer dizer, eu não preciso achar, está aí).

Acho que é desrespeitoso com a natureza, e se queremos encontrar uma maneira de organizar a nossa sociedade para a ‘eternidade’, consumindo todos os recursos naturais existentes não parece o caminho… E fomentando as injustiças e diferenças sociais também não.

Li um artigo do Ruy Castro na Folha hoje, onde ele faz uma análise sobre os jovens com base nos últimos acontecimentos policiais, e chega a conclusão de que os jovens não sabem escutar ‘não’… E nos casos relatados, quando isso acontece, dão um tiro se necessário.  Acho que isso tudo passa por aí.

Não vivemos um problema simplesmente financeiro, nem tão pouco econômico…
É uma questão existencial.

É hora de revermos nossos valores, é hora de perceber que o lucro não é, ou não deveria ser, o objetivo único das pessoas.

A ansiedade esta acabando com a humanidade, pra mim essa é a patologia.
Todos pensando em ter tudo agora. Impossível!
(…)
Existem pessoas por trás disso tudo.
(…)

Enfim, concordo que será duradouro, concordo que será longo e concordo também que pode piorar. Mas, sobretudo, olhando para frente (mais pra frente do que gostaria) enxergo uma oportunidade impar de investimento em um mundo melhor.”

Enfim, alguém que não deseja apenas que “tudo volte a ser como era antes”, porque foi justamente o jeito como era antes que levou as coisas ao ponto em que chegaram, economica e socialmente. Concordo com ele quando diz que é hora de REVER VALORES. Será que somos capazes?

Deu no jornal:

“Médico pode limitar ajuda a doente terminal” .

Não se limita a ajuda. Ajuda-se o doente sempre. O que se propõe limitar são os procedimentos fúteis porque sabidamente o paciente não tem mais chances de vir a ficar curado.

“O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou ontem resolução que permite ao médico suspender tratamentos e procedimentos que prolonguem a vida de doentes terminais e sem chances de cura –desde que a família ou o paciente concorde com a decisão, que deve constar no prontuário médico.

A norma, aprovada por unanimidade em plenária do CFM, vale para médicos de todo o país. Mas ela só tem efeito interno, isto é, não isenta o profissional de ser responsabilizado criminalmente.

A polêmica é grande. Em 2005, o Ministério Público e a OAB condenaram medida semelhante proposta pelo conselho médico de São Paulo por entender que era eutanásia, prática ilegal pela qual se busca abreviar a vida de um doente incurável. Nesse caso, o médico pode ser processado por homicídio privilegiado.

Para os médicos, a resolução trata da ortotanásia, o ato de cessar o uso de recursos que prolonguem artificialmente a vida quando não há mais chances de recuperação. Exemplo: um doente terminal de câncer sofre uma parada cardíaca. Hoje, o médico tenta reanimá-lo e o coloca em respirador artificial na UTI. Se o rim entrar em falência, por exemplo, será submetido à diálise.”

“Para Clóvis Francisco Constantino, vice-presidente do CFM, não há perigo de as pessoas confundirem a medida com eutanásia. ‘Nós somos absolutamente contra a eutanásia, não só porque é eticamente condenável, mas também porque, no nosso país, não é permitida. Eutanásia significa deliberadamente provocar a morte. Obviamente que nem o paciente, nem a família e nem nós, médicos, queremos isso.’”

- Não há perigo? Claro que há. Precisa muuuuita conversa pra tudo ficar bem claro. E tem, sim, familias que pedem pra o médico provocar a morte do paciente. Ninguém faz, porque é proibido. Mas que tem quem peça, ô se tem.

“A médica Maria Goretti Maciel, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, concorda: (…) a sociedade deve apoiar a resolução. “Ninguém quer ver seu familiar sofrendo, passando dor. Ninguém quer vê-lo morrer sozinho na UTI. A morte tem que ser encarada como algo natural da vida.

- Como, “ninguém quer” ? Dentre os bilhões de seres humanos espalhados pelo mundo, muitos, mas muitos MESMO preferem ver o parente agonizar na UTI até o último suspiro da última mitocôndria (quem não lembrar da Biologia do colégio, pergunta pro Google) do que deixá-lo descansar em paz quando o corpo se esgotar.

E, como, a morte TEM que ser encarada desse ou daquele modo? Friamente, sabemos que a morte é natural, claro. Mas, dentre os bilhões de entes humanos que povoam a Terra, alguns podem não estar bem pra passar pela morte do parente em determinado momento, e nós médicos temos que respeitar isso.

Tem médicos (nem todos) que ficam irritados quando os parentes do paciente fazem perguntas – na opinião deles – sem cabimento ou tolas. Mas, oi, na maioria das vezes os parentes são leigos. Alguns nunca entraram em uma UTI, não sabem mesmo o que são as luzes piscando no monitor, e ficam aflitos, ora. Por que não exercitar a compaixão e colocar-se por um momento no lugar deles?

Assim também na ortotanásia. Mesmo que nós médicos estejamos absolutamente convencidos da futilidade de prolongar tratamentos a um doente terminal, para alguns parentes esse assunto é novo, nunca foi amadurecido, e nós temos que aceitar se eles, mesmo depois de esclarecidos, exigem que não sejam suspensos todos os tratamentos possíveis.

Segue o artigo:

“A partir do próximo ano, o Ministério da Saúde deve implantar um programa nacional de cuidados paliativos e controle de dor. A idéia é que o conceito seja adotado em todo o sistema, das equipes de médico da família até os hospitais de grande complexidade. Já o CFM vai regulamentar os serviços de cuidados paliativos, determinando, por exemplo, quais drogas devem ser usadas para analgesia, sedação e para conforto do paciente terminal.”

O conteúdo do início desse parágrafo é ótimo. Esclarecer às pessoas sobre os cuidados paliativos, basicamente, analgesia, sedação, nutrição, curativos, etc.. E só. Poupa o paciente de passar pela verdadeira via crucis que é a UTI para aqueles que já não têm mais chance de cura.

Já as últimas linhas preocupam. Como assim, o CFM vai estipular “quais drogas devem ser usadas”?? Já to vendo discussões se avizinhando.

É bom que a discussão venha a público e que todos pensem no assunto, e se informem ao máximo. De forma a que o modo como vai ser o final da vida do seu ente querido não seja determinado pelo interesse financeiro de determinado plano de saúde ou de um médico eventualmente inescrupuloso, mas sim pelo que a família, informada e orientada quanto ao ponto de vista médico, considere que será melhor para ele, conforme suas convicções morais, religiosas, éticas e pessoais.

Até porque, coisas como essa que contei aqui acontecem.

________________

Mudei o título. Claro, o artigo é sobre ortotanásia, não eutanásia. Obrigada, Arthur.
E, se “afinal” sou “contra ou a favor” da ortotanásia: não sou contra nem a favor, muito pelo contrário. Cada caso é um caso, e este assunto é sério demais para ser tratado como se fosse eleição ou campeonato de futebol.
Os interesses financeiros que citei: a maioria dos planos de saúde é extremamente correta em relação a isso, mas é fato que um paciente que fica meses na UTI torna-se caro para o plano. Por outro lado, a maioria dos médicos é isenta, mas para alguns médicos as visitas diárias a um paciente internado pode render-lhe um bom acréscimo aos seus vencimentos no final do mês.
Quer dizer, existe o perigo de um plano de saúde ganancioso decidir reduzir as despesas com procedimentos dispensados a um paciente que talvez ainda tivesse possibilidade terapêutica.
Ao contrário, a um médico inescrupuloso pode ser interessante prolongar à exaustão a vida de uma pessoa já fora de possibilidade terapêutica, para que possa continuar recebendo o valor das visitas diárias.
Como disse, são poucos os que fazem isso, mas são situações para as quais as familias devem estar atentas. Por isso devem procurar um médico em quem confiem e decidir conscientemente a melhor forma de conduzir os últimos dias do seu parente, independente de pressões externas que possam acontecer.

Lembrete

Recebi de um amigo:

“Loucura é fazermos sempre as mesmas coisas e esperarmos resultados diferentes”

Blog legal

Um blog visual, bacana. Só não sei quem é o(a) autor(a).

Assim me passaram, assim reproduzo, porque achei interessante  (não sei com certeza o autor):

01. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.
02. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.
03. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.
04. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.
05. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.
06. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.
07. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.
08. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro.
09. Porque o poder é limitado pela necessidade.
10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.
11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.
12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.
13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos.
17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.
19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.
21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.
24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.
26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,
27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.
28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas.
29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.
30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.
32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.
33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo.
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.
36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.
37. Evita todas as coisas que causarão inveja.
38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.
39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.
40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.
41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,
42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.
43. Pergunta: “Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?”
44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.
45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração.
46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.
47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.
48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.
49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.
50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,
51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,
52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.
53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.
54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.
55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.
57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.
58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.
59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,
60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.
61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!
62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.
63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.
64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.
65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.
66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.
67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.
68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.
69. Avalia bem todas as coisas,
70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter.
72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.

Deu no jornal:
Pfizer desiste do Viagra feminino porque ‘as mulheres são complicadas demais’ .

Depende do ponto de vista. Se você quiser se meter a besta e resolver tentar manipular seus processos, pode ser muito complicada, uma mulher.

Mas, se você simplesmente gostar dela, e demonstrar isso, a mulher torna-se o que há de mais compreensível do mundo. E ainda te explica, se você demora a entender.

Precisa de muito pouco, como em quase todas as coisas boas da vida. As melhores são as mais simples. E muito poucos entendem isso, a gente sempre acha que precisa complicar.

Tsc.

Transcrevo aqui um post de Outubro de 2007, que, infelizmente, continua atual, e possivelmente ainda o será por muito tempo.

Nele, eu contava de um trabalho feito no Rio de Janeiro com crianças, filhas de mães faveladas, viciadas, pais presos ou mortos.

Elas recebiam, gratuitamente, por iniciativa de uma senhora, na sua casa, aulas, alimentos e atenção dados por ela e vários voluntários (assistentes sociais, médicos, advogados, enfermeira, faxineira, dona de casa, e vários outros).

Dizia:

- Eu não sei se aquelas crianças vão conseguir compreender que não são lixo nem demônios, que são seres humanos e têm direito de viver. Mas acho importante continuar tentando demonstrar isso a elas.

A propósito, recomendo a vocês a leitura do livro “Muito Longe de Casa“.

O autor, um jovem africano (mas podia perfeitamente ser brasileiro), narra de forma estonteante sua trajetória: um menino bem humorado e perfeitamente saudável tem sua casa e sua família destruídos por “rebeldes” (que aqui seriam traficantes) e precisa fugir, para não ser morto também. Passa fome, frio, medo. É confundido pelos outros civis com um dos rebeldes, e precisa fugir dos seus também, que no pavor dos rebeldes igualmente tentam matá-lo (como, aqui, tantos meninos pobres são segregados e não raro mortos pelo medo de que venham a ser bandidos). Depois de escapar da morte algumas vezes, exausto, faminto, assustado e tendo assistido a toda sorte de atrocidades, finalmente, ainda menino ele é cooptado pelo exército regular do seu país (que aqui seria uma facção criminosa qualquer) , necessitado de soldados.

Claro que fica grato ao capitão, que lhe dá roupas, comida, uma arma e muita droga. Passa a assistir filmes americanos violentos, para “inspirar-se”. Recebe instrução sobre como matar e mais drogas.

Rebeldes capturados são oferecidos a ele para que mate-os, e ele mata, louco de drogas, desepero e falta de outra opção. E depois ele mata mais, e mais. Com isso, recebe mais drogas, e no meio da atrocidade toda, a essa altura invisível a ele, torna-se membro respeitado do grupo.

Não lembro quanto tempo ele passa nessa vida. Um dia, chega ao regimento dele uma representação da UNICEF, que leva embora dali os soldados meninos.

Eles são colocados em um abrigo. No livro, ele conta que a fera em que se transformara sentia falta das drogas, e sentia falta de matar alguém. Recebeu cama e lençóis limpos (que depredou), alimentos (que ‘zuniu’ longe), apoio de funcionários (que espancou a socos e pontapés). Os funcionários não reagiam. Enquanto apanhavam, diziam “tudo bem, não é sua culpa”. Isso os enfurecia ainda mais, mas essa frase era repetida por todos os funcionários como um mantra: “não é sua culpa”.

Com o tempo, as drogas foram deixando seu corpo; o hábito de matar foi sendo esquecido. Ali ele teve chance de deixar aflorar novamente o menino que sempre foi, inteligente, amante dos livros e da música.

Ali ele teve chance de ser ouvido. A ponto de ser convidado a fazer uma palestra na sede da UNICEF e, depois, ter-se tornado um seu funcionário. Hoje é um cidadão comum a viver em Nova Iorque.

Achei muito instrutivo para todos nós que convivemos com assassinos e chacinas diariamente, porque é uma história real e muito bem escrita – li o livro em dois dias.

O relato dele reiterou, pra mim, a certeza de que não adianta fuzilar, vociferar, criticar, isolar, entrincheirar.

Desconfio que o caminho seria pro lado daquela conversa, daquele cara da cruz, de ‘amai-vos uns aos outros’, e tal. Acho que era aquilo. Pena que ninguém escuta o cara.

Pra quem entende inglês, aqui tem uma entrevista do autor do livro, falando da lavagem cerebral que sofreu pra tornar-se assassino, e sobre o trabalho de reabilitação que o beneficiou. O jovem que vemos sentado ali, antes assassino e agora bem vestido e conversando, na África foi salvo pelo UNICEF. Aqui provavelmente se ele fosse pego pelas autoridades já estaria morto.

É óbvio que eu sei que muitos bandidos são doentes mentais, muitos são irrecuperáveis. Mas muitos não são. Quando li o livro do menino africano feito soldado, entendi que muito provavelmente eu mesma, naquelas condições, teria me transfigurado em assassina. E é impressionante ver como o menino assassino volta a agir como ser humano quando recebe condições humanas de vida. A gente está tão apressado em se livrar do problema que quer sair fuzilando todo mundo, mas, quantos de nós têm parado pra tentar compreender as origens do problema, e fazer algo concreto pra mudar alguma coisa?

“Na verdade, a lacuna entre, digamos, Platão, ou Nietzsche, e o homem comum é maior que a lacuna entre esse homem e o chimpanzé. O domínio do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filosofo, raramente é alcançado.
Por que aos poucos? Por que a historia e evolução do mundo não são historias de progresso, mas acréscimos fúteis de zeros?
Não se desenvolveram valores maiores. Os gregos , há 3.000 anos, eram tão avançados quanto nós.
O que são essas barreiras que impedem que as pessoas alcancem algo próximo a seu verdadeiro potencial?
A resposta pode ser encontrada em outra pergunta: “Qual a característica humana mais universal? O medo ou a preguiça?”.

- do Waking Life.

coitados de nós.

no video ele fala coisa muito importantes, muito sérias e que são muito iguais ao que sofrem as crianças aqui do Brasil. eu queria saber se alguém pode me indicar alguém que pudesse legendá-lo, se vc conhece, poderia indicar pra mim? obrigada!

Explicação necessária

Fiz um complemento a este post, onde contei um papo sobre fé que acho que não ficou bem claro. Beijos fui.

Consciência, sempre ela

De vez em quando leio algum trecho de livro que gosto de “colar” aqui, como uma forma de sugerir a leitura, mas também para compor meu álbum de recortes de reflexões.  Este aqui é um deles:

“Algumas vezes, uma mulher enfrenta dificuldades com uma mãe ou com irmãs invejosas. O seu crescimento em termos de feminilidade e criatividade pode ser tão carregado de medo que essa transição (da inocência de Psique para a integridade da assimilação do lado institual da sua natureza) nunca chega a ocorrer, de modo que ela pode permanecer num lamentável estado de inocência; o reconhecimento de seu lado Afrodite, de sua própria competitividade sexual e do desejo de ser o centro das atenções pode ser difícil, mas é importante.

Uma mãe inconsciente da própria inveja pode tornar-se mental ou fisicamente doente quando a filha aproxima-se da puberdade; pode fingir estar sendo tratada rudemente e manifestar tão pouco prazer com todos os sentimentos da filha que a sexualidade, o prazer sensual e o gosto pela vida transformam-se em tabu pelo fato de a mãe não desfrutá-los.

As mulheres que têm este tipo de mãe crescem inconscientes da própria sexualidade; por vezes são alvo de investidas sexuais importunas, que causam constrangimento, irritação, medo e indignação.

Quando os relacionamentos inspiram tal sofrimento, precisamos descobrir e reconhecer o propósito deste sofrimento, visto que, de outro modo, poderemos nos fixar fortemente no papel de vítimas. Através das provações impostas pelo lado mais sombrio das interações humanas, sentimos uma perda da inocência; todavia, poderemos então crescer e adquirir um senso individual de identidade, aumentando nossa compaixão e consciência”.

Melanie Reinhart  em  ‘Quíron e a jornada em busca da cura’

Então, fico completamente incrível quando ouço pessoas teoricamente educadas recitando que “só existem direitos humanos para os bandidos, no Brasil”.

Como assim?

Nós, que temos mesas para comer, camas para dormir, chuveiros para tomar banho, bancos de escola para sentar – ok, às custas do dinheiro do trabalho, mas é todo um sistema estabelecido que garante que tenhamos esses itens indispensáveis à dignidade humana em nossos lares. Um sistema que não existe para quem não pode pagar por ele.

Nós que vamos à defesa do consumidor e ganhamos causas contra operadoras de tudo o que existe. Que recebemos pensões judiciais. Que recebemos nossos salários através de todo um sistema, da empresa que nos paga, do banco que repassa. É um sistema viciado, que nos rouba, mas que nos serve, e por isso mesmo vamos convivendo – porque ele nos serve. Preserva nossos direitos.

Nós que nunca fomos estuprados pelo próprio pai ou vimos nossa mãe cair de bêbada, que nunca cheiramos crack para enganar a fome.

Nós, para quem as pessoas “de bem” não olham com repulsa nem atravessam a rua para não cruzar conosco, apesar de fazerem isso com as crianças imundas que só queriam um pouco de comida e carinho.

Nós, que estamos do lado de cá dos que podem pagar pelo sistema todo, nós que achamos que temos a sanidade mental e sabemos que a insanidade não escolhe classe social, nós que estamos ao abrigo de tantas violências.

Eu não sei se é cegueira, hipocrisia, medo, ignorância. O que é eu não sei.

Mas dizer que “só bandido” tem direito não me faz sentir raiva. Faz sentir desânimo e tristeza.

Tomara que quem pensa assim – que os insanos e os que delinquem devem ser trancafiados em um cubículo imundo, espancados e deixados à míngua, ou simplesmente mortos sumariamente – tomara que nunca perca a sanidade, nunca venha a transgredir nada, nadinha mesmo e nunca vá a julgamento.

Amém.

________________________________________________

Óbvio que não acho bandido tudo bonzinho, ou que acharia graça se houvesse agressão violenta a mim ou a alguem querido. É só que TODA questão tem dois lados. Acusar, apedrejar nunca resolveu, tanto que Jesus pediu que atirasse a primeira pedra quem nunca tinha errado. Apontar, julgar outros não leva a lugar nenhum. Ao contrário, ajudaria refletir, compreender os mecanismos que geraram o problema, e AGIR sobre estes mecanismos. O bandido errou? Que seja privado da liberdade e punido na forma da lei. Ser tão violento ou insano quanto ele resolve alguma coisa? Será? Finalmente… Em alguns casos, a imprensa decide dar destaque, aí o povo inteiro berra “apedreja!”. E os casos que não aparecem na TV? Estamos preocupados com a violência? Que tal começar a amparar crianças de rua? Ah, dá trabalho, né? Pois elas estão por aí, vivendo tragédias reais, diárias, em baixo dos nossos narizes. Aí, vem a velha resposta: “eu trabalho, pago impostos, não tenho que amparar ninguém”. Aí entra ano, sai ano, a gente continua pagando imposto e nada de o governo resolver todos os problemas. A gente começa a desconfiar que só pagar imposto não resolve, mas… fazer alguma coisa diferente disso dá um trabalho, né? Mais fácil desejar a morte daqueles que não se enquadram. A gente não se incomoda, a vidinha continua, até mais um desgraçado ser focalizado pelas câmeras, aí a gente apedreja ele, e o próximo, e o próximo. Enquanto reza pra nunca ser a vítima da vez, deuzulivre.

São tantas emoções…

Fui fazer curativo em uma criança queimada.

O curativo é no centro cirúrgico, com anestesia geral, porque a queimadura é grande, e a criança pequena (tem 1 ano e 2 meses).

Na sala ao lado da nossa, um parto acontecia.

Enquanto meu pequeno paciente entrava em sala, escutei um choro forte, era o recém nascido, saindo embrulhado no colo da enfermeira, e acompanhado pelo pai.

Vi a enfermeira dando parabéns ao pai, e fiquei sorrindo, escutando o choro, emocionada, pensando que a poucos passos de mim acabara de acontecer um milagrezinho, um evento que mudaria pra sempre a vida dos pais, e o marco do início de uma vida. Quase chorei, sorrindo.

Fomos iniciar nosso curativo, o menino beeeem queimado. A anestesista, a circulante, todo mundo com o maior cuidado com o rapazinho. A certa altura, falei: -’Ô, menino… quequi cê arrumou…’ (o menino tinha puxado uma panela de água quente, que caiu sobre ele).

Depois que eu disse isso, a enfermeira que me auxiliava disse: – ‘É, a gente até esquece que é profissional, e vira meio mãe, né?’.

Claro que ninguém ali esqueceu das obrigações profissionais, mas dá pena, e quem tem filho ficou angustiado e imaginando se fosse o seu próprio pequeno ali.

Na hora de sair, precisa controle pra informar a situação aos pais sem chorar. Encontrar um jeito suave de encorajar, sem omitir eventuais más notícias, que também não se pode mentir.

Quem acha que médico e enfermagem é tudo frio e não sente as coisas não sabe é de nada, viu. Aiai.

Eu não entendo nada

Conversava com a minha amiga, e ela dizia que tinha certeza que ia pro céu quando morresse.

- Como você pode ter certeza?

- Ué, porque eu sou uma pessoa boa.

- Hm, isso é o que você pensa. Como sabe qual é o critério lá em cima?

- Ah isso não tem como variar, eu sou uma boa pessoa, em qualquer critério.

- Quantas crianças órfãs você já amparou?

- Nenhuma! Já trabalho demais pra amparar a mim mesma.

- Aaaahhhnnn… por menos que se tenha, sempre se tem pra dividir…

- Nem vem. Eu não poderia adotar!

- Qual caridade que você faz?

- Eu… eu.. ah…

Estávamos no hospital. Pouco depois uma outra pessoa chega perto e diz à minha amiga:

- Você viu? Ninguém tirou a nebulização do menino, já secou faz tempo…

Respondeu a minha amiga:

- Eu nem quero saber. Não me estresso mais com essas coisas.

Aí eu volto, né.

- Ué, você não era uma pessoa boa? Por que não vai lá ajudar o garoto?

- Ah, é diferente. Se ele fosse meu parente, eu ajudaria. Mas não é…

- Você é católica?

- Sou!

- Jesus não disse “amai-vos uns aos outros”? Segundo os preceitos da igreja católica, você é sim parente do menino, ele é seu irmão, assim como é meu irmão também, etc.

- Och, você está me aborrecendo!

- Hm, desculpa. Não estou recriminando, só estava pensando no que a gente conversou. Não estou julgando, todo mundo faz isso, inclusive eu. Acho que tudo é relativo, questão de ponto de vista de cada um. Sei lá, cara, eu acho que você vai pro céu, sim.

- Ah eu também acho!

- Beleza, então.

Tem hora que eu sou chata pracar*%$ho, eu sei.

________________________________________

P.S.:

esclarecimento!

escrito após um comentário:

Não quis ser irônica ou questionar a fé da minha amiga, pessoa aliás de quem gosto muitíssimo (mesmo).

Meu objetivo foi o de sempre: refletir, fugir do óbvio, tentar enxergar uma mesma situação de um ponto de vista diferente do que eu me encontro – ainda que o que eu for ver não me seja favorável.

Tipo: ‘eu acho que sou boa; é, sou boa sim’ – ao que eu pergunto, boa sob qual ponto de vista?

Exemplo: outro dia eu ia saindo do hospital e um homem e duas mulheres me chamaram. Cheguei perto, uma senhora disse, em voz quase inaudível e em péssimo português que estavam ali fazendo (…) (não ouvi), que só iam voltar pro (…) de noite, que o ônibus (…) e que eles não tinham dinheiro pra almoçar os três, e que estavam com fome e se eu (…) – não ouvi, mas entendi que queriam dinheiro pra almoçar.

Primeiro, senti o medo regulamentar de abrir a bolsa na rua, mesmo eles não tendo aspecto amedrontador. Depois lembrei que só tinha uma nota de R$50,00 na bolsa. Aí disse, “ó, não tenho, tá, não tenho” e saí andando. Entrei no carro e vi que eles abordaram outro passante.

Até hoje fico pensando que poderia ter dado a nota pra eles, que era melhor passar por otária do que deixar de dar possibilidade pra tres pessoas se alimentarem. Mas não dei. Certeza que, do ponto de vista deles, eu não sou nada, nada boa. Não importa, nenhum argumento sociológico interessa a quem tem fome. Não fui boa pra eles. Optei por isso. Decidi isso. Os 50,00 não me fariam terrível falta, mas decidi não dar. Enfim.

No post, não quis ser irônica, nem me coloquei mesmo acima ou como melhor do que a minha amiga, como disse, eu mesma faço como ela; estava só exercitando mesmo, isso de ver determinada coisa de um ponto de vista diferente do meu próprio, e não criticando a fé ou a religião dela.

Como disse no outro post, o objetivo é “tomar consciência”, o máximo possível, de mim mesma, visando evoluir, e não criticar ou apontar o dedo acusador a alguém. No caso que contei no post, eu usei a situação vivida por ela, porque gosto muito dela e sabia que ela ia entender, apesar de se dizer chateada comigo. Foi isso…

Meu amigo Edson enviou:

Durante escavações nos EUA, arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.

Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu sub-solo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica quando Jesus Nasceu!

Uma semana depois, em Belo Horizonte , foi publicado o seguinte anúncio: ‘Após escavações arqueológicas no sub-solo de Contagem, Betim, Barbacena, Formiga, Juiz de Fora, Varginha, Itajubá, Lagoa Dourada, São João Del Rei, Uberlândia, Araguari, Uberaba, Divinópolis, Pará de Minas, Vazante, Ituiutaba, Pitangui, Patos de Minas, Viçosa, Ponte Nova, Timóteo, Inhapim, Iturama e diversas outras cidades mineiras, até uma profundidade de 500 metros , os cientistas mineiros não encontraram absolutamente nada’.

Assim, concluiu-se que os antigos mineiros já dispunham há 5.000 anos de uma rede de comunicações sem-fio: wireless (por isso se pronuncia uai-reless).

Aeromoça, arrastando o carrinho de bebidas, pergunta ao passageiro:

- O Sr. aceita uma bebida?

- Quais são as opções?

- Sim, ou não!

d<a href=

foto Wired

Ainda bem que os governos estão resolvendo a crise com os bancos. Eles explicaram direitinho que tudo foi feito para preservar as instituições, para que possamos conservar os nosso empregos.  E eu pensando que estavam desesperados com medo de perderem suas fortunas pessoais. Tsc.

Muito obrigada!

Agora já podemos todos voltar a trabalhar duro para podermos pagar os impostos escorchantes sem que vejamos melhorias nas escolas e hospitais públicos.

Os governos, eficientes, investiram bilhões em fazer tudo voltar ao normal. Graças à eficiência deles, as bolsas de valores voltaram a subir! Legal!

Agora os ricos do mundo todo podem voltar a acumular suas fortunas sossegados e continuar a ignorar os miseráveis nos seus países e no resto do mundo. Ufa!

Que bom que tudo parece estar voltando ao normal, não é mesmo, minha gente?

Disneylândia

Jorge Drexler
(letra traduzida)

Filho de imigrantes russos casado na Argentina
Com uma pintora judia,
Casou-se pela segunda vez
Com uma princesa africana no México

Música hindú contrabandeada por ciganos poloneses faz sucesso
No interior da Bolívia

Zebras africanas
E cangurus australianos no zoológico de Londres.
Múmias egípcias e artefatos íncas no museu de Nova York

Lanternas japonesas e chicletes americanos
Nos bazares coreanos de São Paulo.
Imagens de um vulcão nas Filipinas
Passam na rede de televisão em Moçambique

Armênios naturalizados no Chile
Procuram familiares na Etiópia.
Casas pré-fabricadas canadenses
Feitas com madeira colombiana
Multinacionais japonesas
Instalam empresas em Hong-Kong
E produzem com matéria prima brasileira
Para competir no mercado americano

Literatura grega adaptada
Para crianças chinesas da comunidade européia.
Relógios suiços falsificados no Paraguay
Vendidos por camelôs no bairro mexicano de Los Angeles.
Turista francesa fotografada semi-nua com o namorado árabe
Na baixada fluminense

Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné

Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul.
Pizza italiana alimenta italianos na Itália

Crianças iraquianas fugidas da guerra
Não obtém visto no consulado americano do Egito
Para entrarem na Disneylândia

Frase profunda da semana

“O fato de ninguém compreender você não faz de você um artista”

Não é só improvisar

“Criatividade depende de diversas questões: experiência, incluindo conhecimento e habilidades técnicas, talento e uma habilidade de pensar através de novas formas.”

Teresa M. Amabile – pesquisadora sobre criatividade na Harvard Business School

Lógica

Um dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar os pratos na cozinha. De repente, percebeu que sua mãe tinha vários cabelos brancos que sobressaíam entre a sua cabeleira escura.

Perguntou:

‘Por que você tem tantos cabelos brancos, mamãe?’

Bom, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar ou me faz triste, um de meus cabelos fica branco’.

A menina digeriu esta revelação por alguns instantes e perguntou desconfiada:

‘Mãe, por que TODOS os cabelos de minha avó estão brancos?’

Queria Escrever

coisas interessantes aqui           mas                   estou tão cansada

mas tão cansada

acho que preciso beber mais água

Os Palms e a Religião

Uso PDAs (Personal digital assistants ou handhelds) da Palm desde… hm… desde um tempão.

Tive um Zire 71, depois um Zire 72, depois um TX.  São pequenos, leves, ligam rápido e com cartões SD podem carregar quantos programas e informações forem necessários.

Assim como no PC, gosto do Palm “limpo”, então, só instalei recursos indispensáveis:

- ISilo: com ele carrego verdadeira biblioteca no bolso do jaleco. Uns dez “Currents”; livros texto de dois volumes – cirurgia (Sabiston e Schwartz), clinica médica (Cecil e Harrison), dermatologia (Fitzpatrick); manuais diversos (ecg, doses em pediatria, estadiamento em oncologia, e outros); os indispensáveis DEF e CID 10; livro de medicina natural, de alergia, de laboratório, de patologia (Robbins). Uma maravilha! Claro que não é agradável ficar estudando um capítulo inteiro na telinha. Mas quando a gente está diante de uma pessoa portadora de anemia falciforme em crise, por exemplo, e não lembra dos detalhes da conduta, é um alívio poder consultar o amiguinho que liga rápido!

- Jogos: gamão, freecell, bilhar, text twist, book worm, alchemy, vexed;

- Adobe reader: pra ler artigos das revistas;

- Documents to Go;

- Smart List: maravilhoso, indispensável, espetacular banco de dados. Criei meus formulários e com ele carrego informações detalhadas de cada paciente operado desde 2003.

- Splash Photo: nele, todas as fotos de todos os pacientes operados desde 2003, pré, per e pós op.

- pTunes: excelente tocador de músicas no Palm;

- Instalação pro teclado, dobrável e muito prático.

Só.

Com isso, ia eu muito feliz, com meu companheirinho no bolso. Só que TODOS os palms que tive foram acometidos pela Mad Digitizer Sindrome . É de enlouquecer. Realmente, o pequeno fica inutilizado, e não é nada barato simplesmente ir e comprar outro.

Mas, como continuar carregando meus dados no bolso sem ele?

Sem querer, me vi na selva dos smartfones, pdas e notebooks, grandes e pequenininhos (tipo o da Asus).

Sem querer porque estava muito feliz com o Palm e o celular, antes de o infeliz enlouquecer.

Descobri que existem verdadeiras seitas. Os usuários de smartfones me olhavam com dó quando eu dizia que preferia manter pda e celular vinculados só por bluetooth.

Os que têm preparo físico, coragem e pachorra de carregar o notebook por todo lado tentaram me fazer acordar pra Jesus e aceitar em meu coração que só o note salva.

Claro que hesitei. O suado dinheirinho que ganho trabalhando não é pra jogar fora em aparelhinhos bonitinhos, caros e vagabundos.

Fiquei balançada pelo Asus Eee, pela portabilidade, mas, como pedir ao paciente com crise falcêmica que espere o sistema operacional inicializar? Not.

Motivada pela credibilidade da HP, resolvi dar uma última chance às telas de toque e comprei um iPAQ.

Que choque cultural!

O sistema operacional do bichinho é o tal Windows Mobile, com todas as chatices, limitações e falta de recursos da Microsoft. Ah, se eu pudesse usar o Palm OS nele!

Mas não posso. Para poder manter meus livros e dados no bolso, vou rezando pra essa tela de toque também não enlouquecer, e, com tristeza no coração, passo pelo penoso processo de adaptação ao novo sistema.

Está difícil viver sem o Text Twist (que existe para ppc, mas *urgh* é pago) e tendo que aturar a complicada, limitada e teimosa agenda de compromissos do iPAQ, dependente do *urgh* Outlook (eu sei que tem mil agendas pra instalar, mas sinto saudade do Palm Desktop). E, susto dos sustos, choque dos choques, o Smart List não roda no ppc. Cáspita!

Mais do que lesada, me sinto órfã. Traída pela Palm, de cuja congregação eu era uma fiel.

__________________________

Em tempo: é claro que se acontecer de eu estar diante de uma crise falcêmica (ou de qualquer outra situação fora da minha especialidade) sem o Palm, alguém virá ajudar, óbvio. Ainda assim, toda vez que fico diante de qualquer quadro que não domino, gosto de ler sobre ele imediatamente, pra gravar melhor. É só um dos motivos do inestimável valor do computador de bolso.

Postagens Antigas »