Estou sinceramente preocupada com a quantidade de mulheres jovens, obesas, que dizem a mim que pretendem submeter-se a uma gastroplastia.
Cada uma com seus motivos:
“Eu não tenho tempo de esperar uma dieta fazer efeito, preciso arrumar um namorado rápido”;
“Eu preciso da cirurgia, porque o meu colesterol está alto, sabe?”
“Já tentei esse negócio de dieta; perdi 30 quilos e ganhei tudo de novo. Agora, pra mim, só a cirurgia mesmo”.
Ok. Vamos por partes.
Não faço cirurgia geral, mas como cirurgiã plástica de um hospital onde se fazem gastroplastias já lidei por alguns anos com pacientes que passaram por esta cirurgia.
E como plantonista de UTI também.
Quem me conhece sabe que, mesmo em meu consultório, mesmo a pessoa estando disposta a pagar por uma cirurgia, só concordo em operar quando avalio que os riscos da cirurgia podem ser superados pelos benefícios.
Já fui procurada no consultório por moças com mamas bem bonitas, querendo “colocar silicone” pra “turbinar” (argh).
À custa de perder o dinheiro pelo pagamento da cirurgia, com paciência explico que neste caso, os riscos todos, e as marcas das cicatrizes são muito maiores do que o pequeno benefício que se pretende alcançar. Pra valer a pena operar, precisa ter muita necessidade, aí o benefício compensa o risco. Na minha opinião.
O mesmo se aplica às gastroplastias. A grande maioria das meninas que sonha com a ”redução do estômago” não tem a menor noção do que seja esta cirurgia.
Já escrevi no blog que “tomar remédio pra emagrecer é como desligar o alarme de incêndio quando a casa está pegando fogo, e nada fazer pra apagar o fogo”.
A obesidade é o alarme, o sinal de que algo não bom está acontecendo. Ao invés de ir buscar o motivo que a fez engordar, a pessoa tenta calar o alarme, tomando remédio.
Com remédio podemos emagrecer, mas a fagulha do incêndio ainda vai continuar lá, intocada. Pode acreditar, ela vai arrumar outra via pra se expressar, e se você perde a chance de direcioná-la, sabe Deus que forma aleatória ela vai conseguir para dar seu recado a você.
Pra nós, que somos pouco conscientes das coisas da alma, as doenças e incômodos em geral são avisos, materializações de pedidos de atenção – pedidos de nós mesmos, de nosso ”eu superior”. Não são castigo, não são sinais de fraqueza. Ao contrário, são placas de aviso, ”não siga por aí!” – e a gente, ao invés de pelo menos tentar entender o aviso, ignora a placa, move mundos e fundos pra remover a benevolente pedra que foi posta no caminho, e segue de nariz empinado na rota inicial, como um trator.
O livre arbítrio nos permite fazer isso, ignorar os avisos.
Bom, o que dizem os sábios é que o nosso ”eu superior” sabe muito mais das coisas do que nosso ego consciente.
Tomar remédio pra emagrecer já era uma resposta pouco gentil aos avisos do corpo. ”Cala a boca e emagrece, droga!!”
Mutilar o seu sistema digestivo é um upgrade gigantesco, de violência. “Vou te cortar e jogar fora, quero ver você abrir a boca de novo”. Fazendo isso, mais alguns nós apertados são acrescidos ao já embolado novelo. Um novelo embolado precisa de paciência e delicadeza pra ser desembolado, gestos bruscos só apertam mais ainda os nós.
Cirurgia é boa pra quem precisa de cirurgia. Se você é jovem, se não está gravemente adoecida por causa da obesidade mórbida, dê graças a Deus por isso, e comece a trabalhar, é o que eu sugiro.
Não é fácil? Ótimo, tudo o que vale a pena na vida não é fácil. Como criar um filho, passar em um concurso disputado, manter-se saudável e bonita não é fácil. Requer trabalho e atenção diários. Quem disse que era pra ser fácil, que era só deitar em uma mesa de cirurgia, dormir e quando acordasse tudo estaria resolvido?
Vou escrever aqui o que disse à última moça que me procurou avisando que ia procurar a gastroplastia:
- ”Você passou 40 anos engordando, não queira emagrecer em um mês.
Até porque nesses 40 anos você não só engordou. Você também fez mil coisas legais, você criou seus filhos, apoiou seu marido, manteve a casa em ordem, trabalhou, auxiliou seus pacientes, deu aulas pros colegas e abriu seus horizontes.
Claro, você também com certeza fez muita besteira, faz parte do aprendizado.
Hoje, você precisa lembrar disso, e ser paciente com você mesma. Precisa ter paciência mas também firmeza. Não se mutilar, mas começar a mudar os hábitos. Sim, demora, mas vê, quantos anos você levou se maltratando pra engordar assim? Em geral, com boa disciplina, em dois anos de trabalho você consegue emagrecer um bocado, com saúde e equilíbrio. Relativamente rápido, né?”
Os profissionais estão aí pra ajudar. Nutricionistas, psicólogos.
O problema é que eles só ajudam, quem faz o trabalho é você – e quem recebe os benefícios depois também é você. No início, é difícil vencer a inércia, fazer o primeiro movimento. Depois, a cada dia tudo vai ficando mais leve.
Lidar com a perda, mesmo do seu peso, não é fácil. Use sua imaginação e procure coisas pra colocar no seu lugar, é o que eu sugiro. Fazer terapia pode ajudar. Nada vai mudar do dia pra noite, não precisa se transformar em heroína, atleta, monja. Simplesmente acolha e reverencie quem você é, tudo de bom que já fez por si mesma e pelos outros. Acolha seus erros também, aprenda com eles.
Se ajude um pouquinho só; se for honesta e perseverante, verá como começam a surgir ajudas externas, como se ”alguém” lá em cima tivesse ficado todo contente, porque você decidiu acordar.
Não precisa complicar, ao contrário! ”Seja simples , Seja simples , Seja simples” – é o que diz o sábio.
Bia!!!
Finalmente você voltou a publicar! Que bom!
Concordo contigo. Cirurgia é cirurgia. Não é nada simples. Deve ser uma opção quando não se tem uma outra solução viável.
Eu mesmo tenho uma grande dificuldade em manter o meu peso. Diminuir então, é pior ainda. Estou fazendo reeducação alimentar há um ano e meio. Consegui perder 10 quilos… e não é fácil, mas acho que deve ser melhor que furar a barriga e enfiar um monde de ferro, linha, etc. Não gosto nem de pensar… sou meio covarde para isso. Prefiro ficar equilibrando o meu prato!
Bjks.
Acho que peso é a única coisa difícil de perder. Saúde, a gente perde fácil. Pacïência, idem. Dinheiro, amigos… coisas que a gente perde com um descuido!
Peso, a gente só ganha!
Bjks
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Disseste uma grande verdade, meu amigo! Beijos saudosos
Bia.Fiz redução há 4 meses,e agora estou com dificuldade em emagrecer.Nos primeiros meses foi ótimo,perdi peso rápido,agora parece que estou regredindo,como tudo o que não é para eu comer,em pequenas quantidades mais várias vezes,antes vomitava,agora não,mas sinto um desconforto abdominal.Por favor me ajude respondendo minhas perguntas.Pelo fato de não vomitar quer dizer que meu estômago está voltando ao tamanho normal?Vc acha que devo ir ao psicólogo?Vc acha que eu posso voltar a emagrecer se seguir uma dieta do nutricionista?Quem faz redução pode tomar rémedio para emagrecer?Com quanto tempo posso fazer as plásticas pela Unimed?Em 4 meses de operada só perdi 14kg.A amiga do meu pai tem o mesmo tempo de operada e perdeu 30kg.Me ajude por favor estou desorientada.
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Shetma, veja: se você chegou a ser operada, foi porque passou por toda aquela triagem, entrevista com psicólogo, nutricionista, cirurgião, até atingir o estágio de ser operada. Então, mesmo não a conhecendo, pressuponho que sua cirurgia foi bem indicada. Como eu disse no post, cirurgia é boa pra quem precisa dela, o que deve ter sido o seu caso. Então, comemore os 14 quilos que você já perdeu, não fique se comparando com outros pacientes, cada caso tem suas particularidades. Quanto a suas outras perguntas, são perfeitamente cabíveis e devem ser respondidas pela equipe que a operou, de preferência pelo próprio cirurgião, ou cirurgiã. De modo geral, Shetma, se você não consegue, sozinha, dar conta de segurar uma compulsão como a de comer, ainda mais se já chegou ao ponto de ter sido indicada a gastroplastia, provavelmente seria de grande benefício você procurar um psicoterapeuta, sim. Boa sorte!
Você é uma cirurgiã diferente da maioria dos que eu conheço
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e você é um amigo muito querido
Eu preciso é por um ziper na boca, isso sim…rs
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tem duas frases ótimas, que li recentemente:
- agora deixei de comer, passei a me alimentar;
- é melhor comprar roupa do que comer.
úh!
beijos, querida rsrs
Você vê, tem gente que acha que centro cirúrgico é como funilaria… Não sei você, mas acho uma falta de respeito com o médico – e com o corpo!
Cresci no posto de enfermagem, esperando meu pai voltar das visitas aos pacientes (agora espero minhas irmãs caçulas, uma pediatra, a outra estudante de Medicina). O tanto de cicatrizes e recuperações complicadas que eu vi me marcou profundamente. Para reduzir meu peso, só tomo duas coisas: jeito na vida…e água com gás no lugar do refrigerante!
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Anna, trabalho ha muitos anos em hospital. Já vi muitas pessoas que precisaram de cirurgia saírem muito bem, apesar das inevitáveis cicatrizes. Cada pessoa tem sua história, e nao devemos julgar ninguem. Meu post nao é uma crítica a quem precisa de cirurgia. É só um alerta, para aqueles que ainda nao precisam, e pensam que é uma solução fácil, ou um substituto ao trabalho interior. Muitas pessoas realmente precisam de cirurgia, e pra elas, é ótimo que este recurso exista. Procurar o médico para esclarecer suas dúvidas nao é desrespeito, é papel do medico orientar a pessoa. Beijo!
No mínimo, você faz a diferença!
Um cirurgião plástico que fala em Eus Superiores e tem a sabedoria, ciência Espiritual como aliado!!
Deus, Luz, é no mínimo, no mínimo…modificante, abalante e surpreendente!
Você está no mínimo fazendo a diferença!
O MUNDO passou a ser melhor por pessoas, profissionais como você!
Deus Existe mesmo!!
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Ora, muito obrigada! Não é pouca coisa, vindo da melhro profissional que eu conheci nos últimos anos… Estou verdadeiramente honrada
Fala sério, vc é td isso mesmo, lembre sempre esmola demais o santo desconfia…..ninguém é cem por cento correto, nem aos olhos de Deus……Vc é muito aparecida isso sim.
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Agradeço você me considerar “tudo isso”. No entanto, lembre, para mais ou para menos, este espaço é apenas um lugar para exposição de idéias, não de pessoas.
Eu até entendo todas as explicações, indagações, comentários, etc. O que não entendo é que se esta cirurgia de redução de estômago lhe permiti não mais cometer tanto, compulsivamente ou por gula, permitindo assim modificar seu corpo estéticamente, por que não fazer. Tem pessoas que não conseguem fazer dieta, por vários motivos que podem ser enumerados. Se há várias mulheres que aumentam seus seios com cilicone, várias pessoas que fazem plástica de abdomen e lipoaspiração, aumentam e diminuiem o nariz e orelha, fazem plástica de rosto para tirar as rugas, etc. Porque não fazer a cirurgia de estomago, para que esta pessoa fique se sentindo melhor?
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Cada pessoa tem obviamente o direito de chegar às suas próprias conclusões, sobre este e sobre qualquer outro assunto. Eu, particularmente, acho que se uma pessoa conseguir equilibrar suas compulsões sem amputar seu sistema digestivo, o processo dela será mais suave e duradouro, além é claro de a pessoa poupar-se dos riscos da cirurgia. Até porque sabe-se que cirurgia nenhuma nem remédio nenhum obriga uma pessoa a ficar bem se “no fundo” ela não desejar ficar bem, a recíproca sendo totalmente verdadeira. No entanto, como já disse, considero que a cirurgia feita como último recurso, para salvar a vida, seja válida. Mas isso é só o que eu acho.
Nossa Bia, virei seu fã, que bom saber que há médicos de boa índole no mundo, parabéns…
Olha Bia adorei seus comentários, e queria tb dizer q fiz a redução por necessidade, infelizmente hoje pessoas se submetem a esta cirurgia achando q nunca mais irão engordar, engano, pq se não passar a ter uma reeducação alimentar volta a ser o mesmo obeso mórbido de antes da redução, então para quem pretende entrar na faca pense bem, faça várias sessões psicológica antes, durante e depois por um longo período, isso irá ajudar muito. E gostaria de saber tb onde te encontrar? Senti uma confiança enorme na sua pessoa, vou precisar muito de sua experiência. Obrigada.
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Va, muito obrigada por suas palavras. Eu sou carioca, no momento trabalho em Recife. Mesmo que voce esteja longe, com certeza vai enconttrar excelentes profissionais perto de voce. Boa sorte!
amiga vc é um anjo que deus colocou aqui para tirar nossas duvidas e nos dar forças…tenho sido tão humilhada devisdo não conseguir fazer minhas obrigações dentro do lar,pois logo me canso,peso mais 100,ñ sei pois tenho medo de me pesar,tenho medo de ir ao medico ou melhor vergonha de lidar com esse assunto,choro só em pensar…tenho mais medo dessa virugia,só Deus para me dar força,seja feita a vontade Dele…amém,beijos obrigada pela força
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Annynha, dizem que “vergonha é roubar”. Nem isso… roubar não é vergonha, é crime, mesmo.
Se voce não consegue fazer suas tarefas em casa, pode ser que esteja doente, e se for assim, precisa de ajuda. Vergonha é não ajudar uma pessoa que está precisando. Mas você veja, uma coisa eu já aprendi. A maioria das pessoas não ajuda se você não pedir. Por outro lado, muita gente ajuda, se você mostrar que deseja esta ajuda, com atitudes ou só palavras.
Médicos – bons – não exercem suas profissões julgando as pessoas. Médicos, psicólogos, enfermeiros, estudam, se formam e vão trabalhar exclusivamente pra ajudar pessoas, este é o trabalho deles.
Se ninguém precisar de ajuda, eles se tornarão inúteis.
A gente faz essa profissão porque gosta de ajudar, mesmo que por fora faça uma pose.
Então se você chega e pede ajuda, um profissional seria doido se ao invés de ajudar ficasse julgando você.
A iniciativa é sua, o trabalho é seu, mas existem ajudas possíveis, muitas!
Existem hospitais públicos e privados onde há equipes especializadas no tratamento de obesidade, mórbida ou não.
Você só precisa ir, eles lá sabem o que fazer, eles conhecem as histórias das pessoas, não costuma ser muito diferente uma da outra: são pessoas, seres humanos, com problemas humanos, procurando ajuda, só isso.
Não é o Juízo Final.
Quando você começa a se tratar vai ver que não precisava tanto medo nem tanta vergonha.
Não precisa.
Você tem direito e dever de se tratar. Avise em casa que vai ao médico, e vai ver como ninguém vai achar ruim nem estranho, sabe por que?
Porque nao é estranho, é o normal, é o de se esperar, que uma pessoa busque se tratar.
Experimenta, depois me conta.
Beijos, e boa sorte.