A paciente, uma jovem, chega pra retirar um nódulo cervical subcutâneo.
- Ai, doutora, tô nervoooooosa!
- Fique não. O que vamos fazer é muito simples, e rápido.
- Ah mas vai doeeeeeeeeeeeeeeer!
- Vai não… vamos anestesiar primeiro.
- Ah mas eu tenho medo da anestesiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia… Precisa MESMO fazer isso?
- Não, não precisa. Se quiser, fica com o nódulo aí, se ele não crescer, não tem problema.
- Mas ele pode cresceeeeeeeeeeeeeeeeeer…..
- Pode.
- Então… bora tirar, né…..
- Bora.
Começo a fazer a assepsia/antissepsia.
- Doutora, eu já disse à senhora que TUDO em mim inflama? Trudia fui à dentista, e o negócio infeccionou foi muito!
- Não se preocupe.. aqui não teremos as bactérias da boca, não tem por que inflamar aqui. Olha, faz o seguinte… relaxa… pensa em coisas boas… você gosta de montanhas? Então… pense no verde, nas árvores…
Começo a anestesiar, devagar e levemente, como sempre.
- Mas me diga, doutora, a senhora sempre quis ser carniceira?
- Han?
- É, quero saber se a senhora sempre gostou de ser assim, carniceira.
- Hm.. esta não foi uma pergunta muito gentil, da sua parte.
- Ah, eu quero saber é se a senhora sempre gostou de cortar os outros, ver um monte de sangue pingando, as tripas, tudinho isso…
Começo a incisão.
- Veja… tudo na vida pode ser encarado por pelo menos dois pontos de vista… você escolhe qual você quer. Pode encarar uma cirurgia como uma coisa benéfica, ou simplesmente como sangue pra todo lado. É sua escolha, isso…
- Ah não sei como vocês podem… cortar as pessoas, achar bom esse sangue todo.
- Quer dizer, a montanha, necas, né. Pensamentos agradáveis, nenhum…
Dissecando o nódulo.
- Rerere… Mas olha, doutora, eu já contei da minha apendicite? Infeccionou tudo, a cicatriz ficou horrorosa. Comigo tudo é assim!
- Você já reparou como só se lembra de desgraças? Será o biniditu? Pense aí, alguma coisa agradável, vá…
Nódulo fora. Começando a suturar.
- Ah, doutora, sei não, visss. Comigo é assim, tudo dá errado!
- Bom, aqui correu tudo bem, estou fechando o curativo, vou ali escrever a data pra você voltar, ok? Doeu alguma coisa?
- Não, nada….
- Ok. Tome sua receita. Até logo, e boa tarde.
- Ah… acho que a carniceira sou eu, né doutora??
- Isso também não é gentil de se dizer, nem sobre você mesma. Só acho que você está usando mal a liberdade que tem de escolher o tipo de pensamento que deseja ter. Veja, aqui, correu tudo bem, e você nem sentiu a cirurgia, mas passou o tempo todo tensa exclusivamente por causa dos seus pensamentos. Pensa nisso!
*pra quem não reconheceu, a fotcheenha é do ‘colega’, o Bay Harbor Butcher, Dexter
Amiga, tu és impagável!!
Adoro tua visão ’sobre tudo..kkk
Por que passamos tanto tempo sem nos encontrar?? vai saber né?? adoro!
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vai saber… rs…
Achei q ia terminar com a medica costurando a boca dela…hehehe…
beijos
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Miiiiiiiiiii…. faz tempo que eu simplesmente AMO seu blog, to felizaça de ve-la por aqui.
Gostei da série.
Do post também. ;o)
Eu acho que não teria toda esta sua paciência…
Suas histórias lembram as de uma amiga que diz que muitas vezes sente saudades da emergência, onde o paciente não fala nada….
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Neria, eu amo a emergência, mas também gosto muito de conversar com as pessoas, pacientes, enfermeiras, e tudo. Faz parte, isso, eu não me incomodo não.
Que moça mais ‘pra baixo’, realmente você tem muita paciência, Bia.
Pena que ela não percebe que esse tipo de atitude mental não lhe faz bem algum, quem sabe um dia ela acorde, não?
Grande abraço!